Memória Roda Viva

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Lair Ribeiro

29/11/1993

Técnicas que contribuem para o sucesso de políticos, artistas e empresários explicadas - e questionadas - pelo neurolingüista que as criou

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[Programa gravado, não permitindo perguntas de telespectadores]

Jorge Escosteguy: Boa noite. Já lhe ocorreu que se você não tem dinheiro, alguma coisa está errada com você, e que a inflação e a recessão são uma espécie de fantasia coletiva? Que você pode comer e emagrecer ao mesmo tempo, sendo gordo? Se a vida lhe deu um limão, e você não sabe o que fazer, experimente fazer uma limonada. Pois é, parece engraçado, mas não é. Essas frases fazem parte do discurso de um médico que se tornou um fenômeno brasileiro no ramo da neurolingüística ou, como querem alguns, da auto-ajuda.  Estamos falando do médico Lair Ribeiro, o convidado desta noite no Roda Viva, que começa agora pela TV Cultura de São Paulo. Nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, há 48 anos, Lair Ribeiro já vendeu mais de oitocentos mil exemplares de seus cinco livros, entre eles, O sucesso não ocorre por acaso e Emagreça comendo. Mais de trinta mil pessoas já passaram por alguns dos seus 26 cursos. Estima-se que, oficialmente, o doutor Lair Ribeiro fature por ano, em torno de seiscentos mil dólares. Grandes organizações, inclusive multinacionais, têm procurado a sua assessoria, para melhorar o trabalho de seus executivos e o faturamento da empresa. Nós vamos saber qual é o segredo do sucesso do doutor Lair Ribeiro, hoje. Para entrevistá-lo, nós convidamos: Ricardo Melo, repórter da revista Exame; Laszlo Varga, repórter da revista Caras; Ivan Ângelo, editor executivo do Jornal da Tarde; Maurício Stycer, repórter da Folha de S.Paulo; Roseli Tardelli, apresentadora do programa Opinião Nacional da Rede Cultura; Pepe Escobar, repórter da Folha da Tarde, e Clô Guilhermino, psicóloga, diretora do Instituto de Programação Neurolingüística Aplicada. Como o programa de hoje foi gravado, não haverá perguntas por telefone. Boa noite, doutor Lair.

Lair Ribeiro: Boa noite, Jorge. É um prazer muito grande estar aqui.

Jorge Escosteguy:
O prazer é nosso. Esses programas de auto-ajuda, esses livros de auto-ajuda, ainda que o senhor não se considere um especialista em auto-ajuda, vamos dizer assim, mas as pessoas o consideram, e o senhor está mais ou menos nesse ramo de sucesso com livros desse tipo, até que ponto existe o risco desse tipo de trabalho cair no que se chama de charlatanismo?

Lair Ribeiro:
O risco sempre existe, porque toda a vez que alguma coisa faz sucesso, sempre vai alguém no vácuo. É muito difícil você distinguir o joio do trigo. Então, esse risco sempre existe. Eu acho que o que tem que ser checado são os resultados; as explicações mudam, os resultados são os mesmos. Se você está obtendo resultado, vá em frente; se você não está, mude a sua estratégia.

Jorge Escosteguy: E qual é a diferença entre o que o senhor considera auto-ajuda e neurolingüística?

Lair Ribeiro: Bom, primeiro eu gostaria de enfatizar que a neurolingüística representa somente 20% do meu trabalho. Apesar de eu ser classificado como neurolingüista, eu sou formado, sou mestre, pertenço à sociedade americana de programação neurolingüística, isso só representa 20%. Eu trabalho, na realidade, Jorge, com cinco tecnologias: aprendizado acelerado, pensamento lateral, programação neurolingüística, gestalt e uma terapia corporal chamada Three-in-one. Eu fiz um pacote, que não é econômico, que eu chamo de vanguardismo, significa correr na frente, ao invés de correr atrás. Então neurolingüística é um dos componentes, mas eu estarei muito satisfeito em discutir esse aspecto aqui também com todos vocês.

Jorge Escosteguy:
Mas o senhor podia definir um pouco para a gente qual é a diferença da auto-ajuda?

Lair Ribeiro: Defino.

Jorge Escosteguy: Dessas frases de efeito que todos dizem, e essas pessoas que vendem muito livro.

Lair Ribeiro:
Eu acho o seguinte, primeiro eu... Se você pega um livro de auto-ajuda, em um conceito genérico, qualquer livro é de auto-ajuda, porque se você pegar um livro de geografia e estudá-lo, ele vai lhe ajudar. Porém no conceito que existe nos Estados Unidos, de auto-ajuda, significa um livro que vai substituir o terapeuta, que vai substituir o médico, que não é o caso dos meus livros. Por isso é que no conceito americano, que eu conheço, de auto-ajuda, é um indivíduo que vai comprar um livro, e ele vai... ele está deprimido, ele vai ler o livro, ele não precisa ir ao terapeuta, não precisa ir ao médico. O meu livro não substitui isso. Por isso que eu não gosto de que meu livro seja chamado de auto-ajuda. O meu livro ensina sim, como você pode usar o seu cérebro de uma forma melhor, como você pode se tornar mais inteligente, como você pode fazer mais distinções, e com isso a sua vida vai ficar mais fácil.

Jorge Escosteguy: Agora, por que é que o senhor diz que inflação e recessão são fantasias coletivas?

Lair Ribeiro: Eu não digo que são fantasias, eu digo que são linguagens coletivas. Se nós todos brasileiros, unanimemente, decidíssemos amanhã acabar com a inflação, acabaríamos. Era um, dois, e ninguém mais aumenta o preço. Só que isso não acontece do ponto de vista prático, porque sempre alguém vai querer aumentar o preço pela última vez. Eu quero mostrar que os conceitos são lingüísticos, nós somos animais lingüísticos. A linguagem nos diferencia dos outros seres e nos faz humanos. Então, linguagem cria a nossa realidade, como uma realidade de inflação, uma realidade de recessão.

Ivan Ângelo:
Quando o senhor fez sucesso, não havia livros de Lair Ribeiro para ajudá-lo. Então a gente poderia considerar que os livros não foram necessários, pelo menos para o senhor.

Lair Ribeiro: Sim.

Ivan Ângelo:
Então o que o pessoal gostaria, talvez todo mundo gostaria de saber, quem é que o senhor leu para fazer sucesso?

Jorge Escosteguy: [interrompendo] Quem foi o "seu Lair Ribeiro"?

Ivan Ângelo: Quem foi a base? O seu Lair Ribeiro?

Lair Ribeiro:
Bom, o meu Lair Ribeiro foi o próprio Lair Ribeiro. Eu nasci, eu fui um indivíduo que, desde criança, em tudo o que eu coloquei a mão deu certo. Eu sempre tirei o primeiro lugar em todos os concursos em que eu entrei, até hoje, com exceção do vestibular, em que me classifiquei em segundo, mas tudo o que fiz deu certo. Eu comecei a trabalhar com a idade de 12 anos, com 17 anos de idade, eu era funcionário do Banco do Brasil, eu era escriturário, eu era professor. Então, sempre deu certo. O que a neurolingüística fez por mim, é que quando eu cheguei nos Estados Unidos, em 1976, Ivan, eu me deparei com essa disciplina, eu entendi como que eu fazia, porque as pessoas me perguntavam: por que tudo o que você faz dá certo? Eu falava “não sei, fazendo”. A neurolingüística me permitiu ordenar isso, e colocar de uma forma didática, de modo que eu possa transferir o meu know how para você. Então, essa que é a habilidade. Agora, eu acho que o doutor Lair sempre fez sucesso. Se você me perguntar quem é que inspirou muito o meu trabalho, foi um indivíduo que hoje é falecido, o nome dele é [Richard] Buckminster Fuller, que eu acho que é o gênio deste século, o Buckminster Fuller...

Ivan Ângelo: O criador da [cúpula] geodésica?

Lair Ribeiro: Isso, exatamente. A minha inspiração é toda no trabalho dele. O Buckminster Fuller deixou 250 patentes, ele foi, como você sabe, engenheiro, arquiteto, poeta, matemático. Então, se eu devo alguma coisa a alguém, eu devo a ele.

Laszlo Varga:
É o seguinte. O senhor começou a lançar os livros dois anos atrás, não é?

Lair Ribeiro:
Menos de dois anos, Laszlo.

Laszlo Varga: Há um ano e meio.

Lair Ribeiro:
Isso, em abril de 1992.

Laszlo Varga: E o senhor tem dito que sabia que ia ser um sucesso no Brasil, imediatamente. Já estão dentre os cinco lugares mais vendidos, não é?

Lair Ribeiro:
Sim.

Laszlo Varga:
Agora o senhor vai lançar nos Estados Unidos, e lá nos Estados Unidos existem muitos autores desse tipo de literatura.

Lair Ribeiro:
Perfeitamente.

Laszlo Varga: O senhor também garante que vai ser sucesso lá? Ou o senhor só é sucesso porque é no Brasil?

Lair Ribeiro:
Não, não é sucesso porque é no Brasil não. O Lair Ribeiro já é bem sucedido nos Estados Unidos. Eu tenho 149 publicações em medicina nos Estados Unidos, trabalho lá desde 1976, sou muito respeitado na cardiologia, não só nos Estados Unidos como no mundo inteiro. Eu acredito que vai dar mais trabalho, porque, como você disse, a competição lá é maior. O livro Success is no accident: it’s simple but not easy [O sucesso não é acidente: é simples mas não é fácil] está traduzido para o inglês, nós estamos negociando, eu vou fazer o mesmo trabalho nos Estados Unidos, eu tenho certeza que vai ser sucesso. Se você me perguntar se é da mesma magnitude que é no Brasil, eu não posso lhe garantir. Mas quando eu decido fazer qualquer coisa, quando eu chego a decidir, é para valer. Nós agora decidimos lançar o talk book [livro falado], que é o livro em [fita] cassete. Eu primeiro pensei bastante antes de fazer, aceitei a oferta da Sony Music, e agora está sendo lançado, e eu tenho certeza que vai ser sucesso.

Jorge Escosteguy:
E esse livro em cassete é o senhor mesmo lendo os seus livros ou é alguma dramatização? Como é?

Lair Ribeiro:
Não Jorge, eu dou uma aula sobre o conteúdo do livro. É uma aula de duas horas, são duas fitas cassete e dois CDs, e onde eu apresento o conteúdo do livro. Eu não leio o livro, eu apresento o conteúdo do Sucesso e apresento o conteúdo de Comunicação Global, que é um livro que eu tenho, que ensina você a aumentar a sua inteligência interpessoal, ou seja, aumentar a sua habilidade de se comunicar.

Roseli Tardelli:
O que é que o senhor tem que os outros não têm, quer dizer, por que é que o senhor faz tanto sucesso e as outras pessoas não conseguem fazer esse sucesso todo? De repente é assim: oitocentos mil exemplares, mais de trinta mil pessoas, 26 cursos, um faturamento anual de seiscentos mil dólares. Por que tudo isso?

Lair Ribeiro:
Eu acho, Roseli, que todo mundo tem potencial. Para ser bem sucedido na vida, é muito simples, você tem que fazer o que precisa ser feito. Só que a maioria não está disposta: fala sobre, mas não faz. O universo só conspira a favor de ação; enquanto você estiver pensando, nada acontece no seu universo físico.

Roseli Tardelli:
Na realidade, eu quero saber o seguinte: o que tem de verdadeiro no seu trabalho e o que tem de marketing?

Lair Ribeiro:
Bom, eu acho que tem as duas coisas, quem vai dizer isso é quem lê o livro. Se você perguntar para o Lair Ribeiro, Roseli, “o seu trabalho tem substância”, claro que tem, do contrário não estaria fazendo. Eu sou um médico, sou um professor universitário americano, eu tenho uma carreira linda na medicina, e me propus a fazer isso, porque eu sei que funciona. Você tem que conversar com o meu leitor e saber qual o resultado. Eu tenho a impressão de que o resultado fala por si próprio, você pode até levar um livro, em primeiro lugar, por marketing, mas você mantê-lo lá, por 75 semanas, em primeiro lugar, acho que a única coisa que mantém, Roseli, é o boca a boca. E o boca a boca vem de gente que gosta de ler o livro, parece que está tendo resultado. Nós recebemos, no mês de julho, 720 cartas de leitores que estão agradecidos pelo livro. Se você me pergunta: “o senhor garante que qualquer pessoa lendo o seu livro, vai mudar a vida?”. Não, não garanto nada. O meu livro é um wake up call, é um despertar. Você vai a um hotel, você pede para ser despertado às 6:30 da manhã, às 6:30 o telefone toca; não significa que você vai ter um bom dia, significa que você acordou. Você pode até voltar a dormir.

Ricardo Melo: Falando sobre o resultado do seu trabalho, Lair, entre os seus inúmeros clientes, existem empresas.

Lair Ribeiro: Sim.

Ricardo Melo: Uma delas é a Perdigão, cujo proprietário, o Saul Brandalise, é um dos seus maiores admiradores, um dos seguidores e até é propagandista do seu trabalho. Você assessorou a Perdigão durante muito tempo.

Lair Ribeiro:
Onze meses.

Ricardo Melo: Onze meses, e hoje a Perdigão está enfrentando a maior crise da história da empresa.

Lair Ribeiro:
Sim.

Ricardo Melo:
Os Brandalises estão sendo acusados de utilizar o patrimônio da empresa para fins pessoais e de levar a empresa, que era uma das maiores do país, a uma situação muito delicada.

Lair Ribeiro: Sim.

Ricardo Melo: Mesmo com a sua assessoria, aconteceu tudo isso. Como é que você explica que isso tenha acontecido em uma empresa que foi assistida por você?

Lair Ribeiro: Você conhece a história do padre, Ricardo? Que rezava uma missa todo o dia e depois xingava o dia inteiro? E alguém chegou para ele e falou assim: “Eu não entendo, seu padre, o senhor reza a missa de manhã e xinga o dia inteiro”. O padre respondeu: “Você já pensou se eu não rezasse a missa de manhã, o que aconteceria com o meu dia?”

Ricardo Melo: Então o senhor quer dizer que a Perdigão estaria em situação pior se o Lair Ribeiro não estivesse aparecido?

Lair Ribeiro: Provavelmente. Você tem que perguntar isso para o Saul Brandalise, não para mim. E parece que você já perguntou. Eu não faço nenhum milagre, o que eu posso lhe dizer é o seguinte: a Perdigão me levou lá 11 vezes, me pagando mil dólares por hora, me mandando um jato para me buscar em São Paulo. Se não estivesse funcionando para eles, provavelmente eles não estariam mandando me buscar de volta. E tudo isso que está acontecendo na Perdigão, eu acredito que seja até conseqüência do meu trabalho.

Ricardo Melo: Mas o seu trabalho afundou a empresa? Eu não entendi!

Lair Ribeiro:
Não é que afundou a empresa...

Ricardo Melo:
[interrompendo] Afundou, porque a empresa está mal.

Lair Ribeiro: ... reestruturou. Existe uma coisa chamada reestruturação. [Pablo] Picasso dizia o seguinte: “você não pode construir sem destruir”. Se você quiser construir uma casa, você tem que furar o buraco, tem que destruir a madeira, tem que destruir a pedreira. Então tem que haver um processo de destruição para haver um processo de reconstrução. É possível que a Perdigão esteja passando por esse processo de reestruturação.

Maurício Stycer:
Doutor Lair, nas listas de livros mais vendidos de ficção, hoje quem brilha, já brilha há três, quatro anos, é o Paulo Coelho [Ver entrevista com Paulo Coelho no Roda Viva]. Hoje tem quatro livros na lista de mais vendidos, propondo, de maneira geral, uma revisão espiritual para o indivíduo, seja o encontro com seu anjo da guarda, um encontro com seu ser interior etc. E do outro lado, nas listas dos livros de não ficção, hoje, há dois anos, um ano e meio, temos o senhor, propondo a reprogramação mental, seja para quem quer parar de comer, seja para quem quer ganhar dinheiro etc. Onde é que essas duas propostas se encontram, na sua opinião?

Lair Ribeiro: Na minha opinião, elas se encontram o tempo todo, porque eu acho que o melhor jeito de você ser espiritualista é você ter dinheiro. Enquanto você não tem dinheiro para pagar a sua conta no fim do mês, Maurício, dinheiro é importante para você. O dia em que você não tiver mais problema financeiro na sua vida, você vai se preocupar com coisas mais importantes. Então eu acho que um modo de você conseguir espiritualidade é através da prosperidade. O livro Prosperidade: fazendo amizade com o dinheiro – não é usando o dinheiro para fazer amizade não, é fazendo as pazes com o dinheiro –, na minha opinião, é um livro altamente espiritualista, e quem leu, manda carta dizendo que é. O dinheiro é uma simbologia. O único valor que o dinheiro tem é que ele lhe permite fazer coisas que o dinheiro não compra, mas você tem direito de descobrir isso por conta própria, não acredite no seu vizinho.

Jorge Escosteguy: Agora, o senhor falou, respondendo a Roseli, que o segredo, de certa forma, um dos segredos, ou o segredo do sucesso, é que é preciso fazer o que precisa ser feito.

Lair Ribeiro:
Isso.

Jorge Escosteguy: E a maioria das pessoas não faz. O que o senhor diria, por exemplo, para um ajudante de pedreiro que todo o dia tem que acordar às quatro horas da manhã para trabalhar? Ele precisa trabalhar, isso precisa ser feito, porque ele precisa faturar ali um dinheirinho, uma miséria todo o mês, para conseguir que a sua família sobreviva. Então o que ele tem que fazer? Ele faz o que tem que ser feito, ele tem que trabalhar para sustentar a família.

Lair Ribeiro: Certo. Jorge, se você for a uma loja de Mercedes-Benz, e começar a olhar um carro e perguntar assim para o dono da loja: “o que você acha do pessoal que não tem nem condição para andar? Como é que eles fazem?”. Bom, alguém tem que resolver o problema deles. Se você for a um hotel cinco estrelas e perguntar assim: “mas e o pessoal que está na rua sem dormir, como é que você faz?” O que eu ensino é uma coisa extremamente sofisticada, que você precisa de um certo nível de inteligência para aprender. A minha proposta de trabalho atinge uma faixa da população.

Roseli Tardelli:
Não atinge o pedreiro, então?

Lair Ribeiro: Provavelmente diretamente não, mas indiretamente sim. Se vou a uma Perdigão, ou a uma Golden Cross ou a uma dessas grandes empresas, e mudo o modo de pensar do dono da empresa, eu, automaticamente, em um efeito dominó, acabo ajudando 12, 15, 16 mil pessoas. Agora a minha proposta de trabalho não é de trabalhar diretamente com o pedreiro. Eu acho, eu elogio quem está fazendo...

Roseli Tardelli:
[interrompendo] Mas o sucesso não está lá ...

Lair Ribeiro:
Só que não é minha proposta de trabalho.

Roseli Tardelli:
... não está na frente de todos, como o senhor defende, doutor Lair?

Ivan Ângelo: Quer dizer que o pedreiro não precisa ler seu livro?

Lair Ribeiro: Ele talvez nem entenderia o meu livro, provavelmente Ivan, mas se você quer me perguntar, o maior elogio que eu já recebi até hoje dos meus livros, eu entrei em um táxi em São Paulo, e o taxista tinha um livro O sucesso não ocorre por acaso, no banco. Eu perguntei para ele: “que livro é este”? Ele falou: “É um livro que eu estou lendo.” Eu falei: “você está gostando?”. Ele falou assim: “É o único livro até hoje, que eu consegui ler de capa a capa.” Então eu sei que atinjo até o taxista. Eu não sei se eu atinjo o pedreiro, mas eu não me proponho, no meu trabalho, a atingir a todos. Eu cumpro a minha missão em uma faixa. E o melhor modo de eu mudar a sociedade, e eu acho que o meu trabalho vai ajudar a transformar o Brasil. Eu não estou aqui correndo corrida de cem metros, estou aqui em uma maratona. E você vai escutar de Lair Ribeiro, daqui a dez, daqui a 15, daqui a vinte, daqui a trinta anos, porque nós estamos aqui para ajudar a transformar. Essa é a minha missão de trabalho, eu não preciso trabalhar para viver, eu tenho o bastante, eu não preciso trabalhar. Eu estou aqui fazendo uma missão de transformação das pessoas, você vai escutar Lair Ribeiro por muitos anos. A minha proposta de trabalho foi, Ivan, pegar a classe mais privilegiada intelectualmente, se ela conseguir entender a minha mensagem, vai conseguir comunicar isso para os outros. Eu não consigo, em um trabalho, abranger uma faixa toda, isso é impossível.

Roseli Tardelli: Doutor Lair, então o senhor está admitindo que o sucesso não está à disposição de todos, então?

Lair Ribeiro:
O sucesso está à disposição de todos. O Lair Ribeiro não está à disposição de ensinar sucesso para todos, ele tem um limite de trabalho.

Jorge Escosteguy: [interrompendo] Não, mas veja bem, eu lhe perguntei...

Lair Ribeiro:
Claro que, se você pegar um operário de fábrica, ou um pedreiro, ou um ajudante de pedreiro... Eu conheço gente que vem no meu curso, que começou em Brasília como trocador de ônibus e ficou milionário, honestamente. Eu conheço gente no meu curso, que era contínuo de banco, e hoje é uma das maiores fortunas do Brasil, honestamente. Você vai dizer: “isso é mais exceção do que a regra”. Eu sei, mas a exceção prova a regra. Que é possível, é, mas infelizmente existe uma série de componentes, de circunstâncias. Conversando com o público intelectual, o indivíduo que tem capacidade de entender os meus paradigmas, ele já tem dificuldade de aceitar que isso é possível. Imagine, então, conversando com um indivíduo, coitado, que nunca teve uma possibilidade na vida. Deixa eu contar para vocês um estudo que foi feito em Harlem, em Nova Iorque, que vocês sabem, é uma das zonas mais pobres do mundo. Eles pegaram um grupo de estudantes em Harlem e dividiram em dois grupos, tudo na mesma classe. Um grupo tinha o privilégio de, uma vez por mês, durante seis meses, passar um dia em Manhattan, vendo como um executivo vivia: como que ele tomava o café da manhã, como que ele trabalhava etc. E o outro grupo não tinha essa possibilidade. Dez anos depois, eles reavaliaram. Sabe o que eles descobriram, Roseli? Que o grupo que, durante seis meses, teve a possibilidade de ter aquela visão de como um executivo funciona, estava muito melhor financeiramente e intelectualmente do que o outro grupo. O que nós precisamos dar para as pessoas é visão. Mesmo uma classe elevada não tem visão no Brasil! Se perguntar para um jovem de 16 anos hoje: qual é o seu maior sonho? Sabe o que ele responde para você? Mudar para o exterior.

Jorge Escosteguy:
Quando eu lhe perguntei sobre a questão do que precisa ser feito, eu não lhe perguntei no sentido de dizer “é preciso ler, ou estudar, ou ter um curso com Lair Ribeiro”. O senhor disse isso como uma essência até do seu ensinamento...

Lair Ribeiro: Sim.

Jorge Escosteguy: ... mas uma essência independente de o senhor ensinar ou não. Ou seja, o problema é que as pessoas não fazem o que deve ser feito.

Lair Ribeiro: [interrompendo] É, mas faltam mais razões, Jorge...

Jorge Escosteguy:
[interrompendo] Para um telespectador comum, o trabalhador que acorda quatro, cinco horas da manhã todo o dia, que de repente pode estar nos assistindo, apesar de ser tarde, o que é que ele não faz e que ele deveria fazer?

Lair Ribeiro: Bom, primeiro precisa perguntar a ele o que ele quer na vida. Ele vai falar o que ele não quer. Em vez de ele se concentrar no que ele quer, ele se concentra no que ele não quer. Você pergunta para o sujeito: “o que você quer?” Ele responde: “Eu não quero doença, eu não quero pobreza”. Eu não estou perguntando o que é que você não quer, eu quero saber o que é que você quer. O indivíduo, de um modo geral, ...

Jorge Escosteguy:
Ele quer é ganhar na loteria.

Lair Ribeiro:
Ô Jorge, o indivíduo, de um modo geral, está concentrado naquilo que não quer. Então, a primeira coisa que eu ensino é o seguinte: você tem que se concentrar naquilo que você quer e não naquilo que você não quer. Se você se concentra naquilo que você não quer, em vez de se concentrar naquilo que você quer, é como se você estivesse dirigindo um ônibus, olhando pelo retrovisor: você sabe de onde você está vindo, mas não sabe para onde está indo. Segundo, só querer não é poder. Eu acho que a frase “querer é poder” é furada. Se você entrar em uma quadra de basquete com regra de ping-pong, você não consegue fazer um ponto. Não é só querer ganhar o jogo, você tem que conhecer a estratégia, tem que conhecer a regra. No livro Prosperidade [Fazendo amizade com o dinheiro - subtítulo], eu ensino [contando nos dedos] a lei do ganhar, a lei do gastar, a lei do economizar e a lei do investir, que são leis universais, que funcionam no Brasil, no Japão, nos Estados Unidos. Se você não entende a lei do ganhar, a lei do gastar, a lei do economizar e a lei do investir, você pode ser um excelente matemático, um excelente lingüista, você vai depender do salário do fim do mês.

Pepe Escobar: Lair, as suas técnicas sempre me parecem um programa para um computador de quinta geração. Ou seja, eu não consigo ver um vírus que conseguisse desestabilizar o seu sistema. E as pessoas costumam aprender na vida mais através dos seus erros do que através de mantras técnicos.

Lair Ribeiro: Sim.

Pepe Escobar:
Onde você errou, para aprender o que você aprendeu?

Lair Ribeiro: Boa pergunta, Pepe. Você aprende na vida através de duas coisas: através da sua própria experiência, em que estão incluídos os seus erros, e através das pessoas que sabem. Sabe o que é que eu fiz para aprender através das pessoas que sabem? Eu procurei quem sabia, procurei os indivíduos que ganharam o prêmio Nobel. Então eu falei: “eu posso aprender por conta própria, mas vai levar muito tempo”. Existe um ditado que diz o seguinte: “o tempo é o melhor dos mestres, só que acaba matando todos os seus discípulos”. Então eu falei: “eu não quero esperar aprender por conta própria, eu vou aprender de quem sabe”. Quem sabe? E eu questionei: “bom, quem deve saber é quem ganhou o prêmio Nobel”. Então eu comecei a estudar os indivíduos que ganharam o prêmio Nobel, entre eles, por exemplo, [Ilya] Prigogine [(1917-2003), físico-químico russo, ganhador do prêmio Nobel de Química em 1977, pelos seus estudos em termodinâmica. Escreveu vários livros, dentre eles, Entre o tempo e a eternidade, O fim das certezas e As leis do caos], que tem a teoria do sistema aberto. Então, através de Prigogine, através de Buckminster Fuller, através de Napoleon Hill [(1883-1970), escritor norte-americano pioneiro do gênero de literatura sobre sucesso pessoal, também chamado de auto-ajuda. Seu mais famoso livro do gênero é Think and grow rich, traduzido para o português como Quem pensa enriquece], que eram indivíduos que já tinham estudado, trabalhado, desenvolvido ciências parecidas, eu incorporei a experiência deles. Então, você tem dois jeitos de aprender, você está certo. Um é através dos seus erros e o outro é através da experiência dos outros. Através dos seus erros é muito interessante, mas a vida é curta e não dá tempo para fazê-lo.

Pepe Escobar: E o nosso pedreiro, que não tem acesso ao Buckminster Fuller?

Lair Ribeiro:
[interrompendo] Eu continuo dizendo o seguinte...

Pepe Escobar: Ou você acha que a versão diluída é eficiente?

Lair Ribeiro: Se eu vendo Mercedes-Benz, o que é que acontece com o sujeito que não pode nem trabalhar, porque não tem condição? Eu escolhi uma faixa de trabalho, eu espero que esse trabalho, Pepe, [faz sinal de degraus com as mãos] seja difundido gradativamente. Eu não posso fazer tudo, entende? Eu escolhi uma faixa de trabalho, eu quero fazer uma diferença no mundo, como todos aqui querem. Eu achei um modo, como você achou no jornalismo, eu achei um modo de fazer o seguinte: eu vou mexer com a cabeça do indivíduo que tem poder. Quando digo poder, não é mandar nos outros não, é habilidade de gerar ação. Por exemplo, vocês têm grande poder nesta sala aqui, porque vocês têm habilidade de gerar ação, através da imprensa, por isso que eu estou aqui, me submetendo a essa sabatina. Então eu tenho que convencer pessoas que têm poder de gerar ação. Uma vez tendo convencido essas pessoas, eu então vou desencadear um processo em dominó.

Pepe Escobar: O senhor seria capaz de desencadear esse processo na política institucional de um país corrupto como este?

Lair Ribeiro: Eu acho que política no Brasil hoje é punição. Eu não tenho nenhuma pretensão política, e estou lhe falando aqui, dentro de quarenta anos estarei lhe falando a mesma coisa. Não tenho nenhum interesse! Só acho que o meu trabalho é muito mais frutífero, eu fazendo fora da política do que na política.

[sobreposição de vozes]


Jorge Escosteguy:
[interrompendo] O senhor acha que o seu trabalho na política não teria resultados?

Lair Ribeiro: Eu não sei lhe dizer, Jorge, porque eu não fiz. Eu acho que seria um trabalho... Eu acho que a situação do Brasil é uma situação que vai se resolver em 15 a 25 anos de trabalho árduo. E eu sou um indivíduo muito pragmático, de resultado mais imediatista.

Roseli Tardelli: Doutor Lair, mas o trabalho do senhor não acelera os processos?

Lair Ribeiro:
Acelera!

Roseli Tardelli: Por que é que na política não daria certo?

Lair Ribeiro:
Eu não estou falando que não daria certo...

Maurício Stycer:
[interrompendo] O Brasil só funciona com psicanálise?

Lair Ribeiro:
Eu não falei isso. Ô Roseli, eu não falei que não daria certo, eu falei que não é a minha proposta de trabalho. Agora se você quer saber se tem políticos...

Roseli Tardelli: [interrompendo] Mas não seria uma contribuição hoje para a sociedade brasileira?

Lair Ribeiro:
Os políticos me consultam, os políticos vêm a mim.

Roseli Tardelli:
Quais políticos consultam você?

Lair Ribeiro: Bom, eu não vou aqui, porque aí vai... Com quem é que você tratou de câncer até hoje? Isso é antiético eu falar...

Jorge Escosteguy:
[interrompendo] Alguém da CPI do Orçamento lhe procurou? [risos]

Lair Ribeiro:
Eu posso falar o que está publicado aí, porque o que está publicado eu posso falar. O governador [Joaquim] Roriz [à época, governador do Distrito Federal] fez curso comigo, se quer perguntar, se está publicado eu posso falar. Agora se você me perguntar quem? Não. É o mesmo que perguntar: “quem você tratou até hoje de câncer em seu consultório?” Eu vou responder assim: “a senhora vai me desculpar, mas isso é antiético”.

Jorge Escosteguy:
E que tipo de político procura o senhor, com que tipo de problema?

Lair Ribeiro: Não é tipo de problema, é o conceito de fazer mais com menos. Como que eu posso aumentar a produtividade? Como que eu posso não aumentar número de funcionários, ou aumentar orçamento, ou aumentar hora de trabalho? Como que eu consigo, Jorge, fazer mais com menos? Como que eu consigo utilizar o meu cérebro de uma forma melhor? Isso aqui [apontando para a cabeça com os dois dedos indicadores] tem dez bilhões de neurônios, cem trilhões de conexões nervosas. Você vai a uma loja, quando você compra um aparelho eletrônico, Jorge, ele vem com um manual: onde que liga, onde que desliga, como que regula. Você recebe isso aqui [apontando para a cabeça] que é a coisa mais sofisticada que tem no planeta, vem sem manual. Então se você quiser saber a essência do meu trabalho, eu trabalho com o aumento de inteligência, eu trabalho lhe dando um manual de como você pode usar...

Jorge Escosteguy:
[interrompendo] O senhor fornece um manual de instrução?

Lair Ribeiro:
... os seus dez bilhões de células de uma forma mais produtiva.

Jorge Escosteguy:
Um manual de instrução para o cérebro?

Lair Ribeiro:
Mais ou menos isso.

Laszlo Varga:
Doutor Lair, eu queria que o senhor desse, então, exemplo de um grande sucesso que o senhor teve com clientes e de um grande fracasso.

Lair Ribeiro:
Um grande sucesso? Você quer saber de que campo? No campo terapêutico?

Jorge Escosteguy:
Do seu trabalho.

Laszlo Varga: No terapêutico.

Lair Ribeiro: Bom, eu posso dizer para você. Uma vez eu estava em Belo Horizonte dando um curso, e chegou um indivíduo, me abordou e disse: “olha, nós temos um indivíduo aí, um empresário famoso, mineiro, e ele tem um superintendente que não voa de avião. E ele está tendo um problema seriíssimo, porque esse indivíduo teve uma reunião na semana passada, em Porto Alegre, gastou dois dias para chegar lá, um dia para a reunião, dois dias para voltar, gastou a semana inteira para uma reunião de meia hora”. Eu conversei com esse indivíduo, ele me contou a história dele. Ele entrou em um concurso, que tinha 1640 candidatos, para quatro vagas no Brasil. Selecionaram 32 vagas, ele ganhou, ele estava no meio; selecionaram 12, ele estava no meio; selecionaram quatro, ele estava no meio. Ele queria [trabalhar na cidade de] Belo Horizonte, ser o gerente geral do Othon Palace, ele ganhou. Ele foi trabalhar, e quando chegou ao trabalho, perguntou: “Onde é que é o meu escritório?”. Responderam: “25º andar”. Ele não andava de elevador. Subiu 25 andares, trabalhou, foi até a hora do almoço, desceu, entregou tudo, perdeu o trabalho. Por ironia do destino, Laszlo, eu estava conversando com esse indivíduo no hall do Othon Palace. Depois de dez minutos de trabalho, ele entrou no elevador e sumiu, ele ia para o 25º...

Jorge Escosteguy: [interrompendo] Sumiu ou subiu? [risos]

Lair Ribeiro: ... e voltava no primeiro.

Laszlo Varga: E o grande fracasso?

Jorge Escosteguy: [interrompendo] E o que é que aconteceu? Desculpe, Laszlo, eu gostaria de saber, porque o senhor contou o milagre, mas não explicou o santo. O que é que o senhor fez que, de repente, ele subiu de elevador e foi até lá em cima?

Lair Ribeiro: É a mesma coisa se você me perguntar assim: “doutor Lair, como é que você faz um diagnóstico de estenose mitral?”. Ou perguntar para um cirurgião plástico: “como é que o senhor opera um nariz?”. Operando, são 17 anos de treinamento. Se você  vê um indivíduo andando em um arame, em um cabo de aço, de um lado para o outro, é muito simples. Sabe o que é que ele faz? Ele coloca um pé na frente do outro. Vai lá fazer para ver se você faz. É muito simples você olhar eu fazendo isso, mas como que se faz? Fica comigo uns dois anos que você aprende.

Jorge Escosteguy: Não, mas eu não estou querendo fazer, eu só gostaria de saber como foi a conversa...

Lair Ribeiro:
A conversa foi o seguinte...

Jorge Escosteguy: Para ele subir de elevador?

Roseli Tardelli:
O que o senhor falou para ele, doutor Lair?

Jorge Escosteguy:
O que o senhor disse para ele? Elevador não cai.

Lair Ribeiro:
Primeiro, que eu nem me lembro o que é que eu disse para ele.

Jorge Escosteguy:
O cabo não arrebenta.

Lair Ribeiro: O que eu fiz ele perceber, se você entender, se eu lhe der uma recordação rápida da psicologia. Na psicologia é o seguinte: pensamento gera sentimento, que gera comportamento. Se eu lhe perguntar: qual foi a maior desgraça que você já teve na sua vida, você vai começar a pensar em coisa triste, começa a se sentir triste e vai chorar. Se eu perguntar qual a coisa mais agradável que você já teve na sua vida, vai começar a se sentir alegre, vai começar a rir. Se eu mudo o pensamento do indivíduo com relação a um elevador, o modo como ele pensa em relação... Porque o medo, Roseli, não cai do céu. “Ah, eu tenho medo de elevador”. Isso não existe. O medo vem de um pensamento que ele tem, só que esse pensamento não está mais no nível consciente, foi para o nível inconsciente. 99% do que nós pensamos vem do inconsciente, o consciente é muito pequeno. Então quando você traz para o nível do consciente esse componente lingüístico, o alfabeto do cérebro, da linguagem cerebral, que é muito simples, tem três letras: imagem, som e sentimento. Se eu trabalho com a imagem, com o som e com o sentimento, do modo como ele pensa em elevador, o sentimento dele muda, o comportamento dele muda.

Clô Guilhermino:
Doutor Lair, eu creio que há consenso quanto ao fato de o ser humano ser altamente influenciável. Nós sabemos que é possível fazer a cabeça das pessoas, em outras palavras, em palavras técnicas, hipnotizar a pessoa. E que as modernas teorias de comunicação, principalmente, a neurolingüística, nos ensinam como fazer essa persuasão, essa mudança de cabeça, essa hipnose. Algumas pessoas que nós conhecemos, como [Adolf] Hitler, [John] Kennedy, Silvio Santos, Edir Macedo [fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus], o fazem muito bem, e nós, especialistas no estudo das técnicas de persuasão, sabemos como fazê-lo.

Lair Ribeiro: Sim.

Clô Guilhermino: O senhor, ao obter os resultados que tem obtido, tanto quanto ao número de participantes nos seus cursos, à venda dos seus livros, o espaço que o senhor obtém na mídia, os resultados econômicos, financeiros que obtém, nos levam à constatação de que o senhor é um grande hipnotizador, um grande comunicador de massas.

Lair Ribeiro:
Um grande comunicador sim, quanto a ser um grande hipnotizador, discordo totalmente de você.

Clô Guilhermino: Que é a mesma coisa.

Lair Ribeiro: Eu não trabalho com hipnose.

Clô Guilhermino: É a mesma coisa.

Lair Ribeiro: Não, eu não concordo. Eu acho que hipnose é uma coisa, neurolingüística é outra. Neurolingüística trabalha com transe, não trabalha com hipnose.

Clô Guilhermino: São só palavras.

Lair Ribeiro: Não, é outra história. É a mesma coisa que você falar que uva é pêra. Eu não concordo, em absoluto.

Pepe Escobar:
Não, ela se referiu à hipnose como uma metáfora.

Clô Guilhermino: Só que ambas são frutas.

Pepe Escobar:
Ela falou em hipnose como uma metáfora, como uma figura de linguagem.

Lair Ribeiro:
Bom, como metáfora. Então nós temos que falar o que é, não é verdade...

Pepe Escobar:
[interrompendo] Mas o senhor usa metáforas o tempo todo.

Jorge Escosteguy:
Voltamos ao assunto da hipnose, por favor.

Lair Ribeiro:
Eu gosto de metáforas, mas o hipnotizador não usa metáforas. Eu uso metáforas, o hipnotizador não usa metáforas.

Clô Guilhermino: Claro que usa metáforas!

Ivan Ângelo: O senhor hipnotiza por metáforas.

Clô Guilhermino: As minhas perguntas são: como o senhor encara a sua responsabilidade ética, diante do seu grande poder de comunicação, e como um grande fazedor de cabeças? E quais os valores que norteiam o conteúdo da hipnose que o senhor faz?

Lair Ribeiro: Primeiro, eu gostaria de reafirmar que eu não faço hipnose. Quanto a minha habilidade de comunicação, eu a realizo para poder promover paz no mundo, porque guerra já tem o bastante. Eu sempre digo, doutora Clô, o seguinte: uma faca é uma faca, você pode usá-la para passar manteiga no pão ou para matar alguém. Por causa disso, você não vai deixar de vender faca. Comunicação é uma arma, você pode usá-la para ajudar o mundo ou para prejudicá-lo. O trabalho que nós fazemos é um trabalho de sacerdócio; a única coisa que eu faço é ajudar o indivíduo. O indivíduo vem, eu quero fazer com que ele fique melhor, que ele use o seu cérebro de uma forma melhor. Eu acho que não existe maior ética do que essa.

Ricardo Melo: Lair, se você tem tanta certeza do sucesso da sua técnica, do seu trabalho, por que é que no seu curso, por exemplo, no Sintonia, que eu fiz, você pede para que os participantes antes assinem um termo de responsabilidade, dizendo que não vão reclamar dos resultados do curso. E que aquela pessoa que está promovendo o curso, no caso, você, não tem nenhuma responsabilidade, se a pessoa se curou, não se curou e assim por diante. A pessoa assina antes de fazer o curso. Por que isso?

Lair Ribeiro:
Porque eu acho que isso é uma atitude legal. Se eu falar com você: “ô, Ricardo, pense em uma tela em branco, você pensa em uma preta... Uma vez eu tentei tratar de um indivíduo com fobia de avião, não funcionou nada. Depois a esposa dele contou para mim o seguinte: “Ele disse que quando o senhor mandava pensar na tela em branco, ele pensava na tela em preto; quando o senhor mandava pensar em colorido, ele pensava em preto e branco”. Então, eu não tenho responsabilidade quanto a isso. Eu não posso entrar na cabeça do Ricardo e fazer a transformação. Existe aqui um ambiente, é feito de antemão, se você quiser vir, você vem, eu não garanto absolutamente nada, entendeu? Você vem porque você quer, e está aí. É bem óbvio e bem honesto. Agora se você entrevistar as pessoas que saem do Sintonia, 99% saem de lá extremamente satisfeitas. Se você perguntar “todo mundo sai satisfeito?”. Claro que não. Eu não tenho nenhuma pretensão de ter uma tecnologia que vai agradar a todo mundo. Jesus Cristo não conseguiu, Buda não consegui, ninguém...

Ricardo Melo:
O senhor se compara à gente...

Lair Ribeiro: Não, não me comparo não, é só uma metáfora que eu estou usando.

Roseli Tardelli: O senhor se considera um iluminado, doutor Lair?

Lair Ribeiro: É uma metáfora que eu estou usando. Eu acho o seguinte: eu não posso prometer nada. Como que eu vou prometer, se é dentro do seu cérebro? O que eu prometo é o seguinte: eu crio um ambiente onde a maioria melhora. Do mesmo jeito que eu não posso prometer que se você ler o meu livro, você vai mudar a sua vida. Eu garanto que se você ler o livro, e se você colocar em prática o que está no livro, a probabilidade – porque de acordo com a física quântica, tudo é probabilidade – de a sua vida mudar é muito grande.

Roseli Tardelli:
Doutor Lair, o senhor se considera um iluminado, como Jesus Cristo, como Gandhi, como Buda?

Lair Ribeiro:
De jeito nenhum! Eu me considero um indivíduo extremamente normal, que tem uma habilidade de usar a minha inteligência de forma produtiva. Não tenho nenhum poder especial, nada. Isso aqui é tudo ciência. Qualquer indivíduo que passasse pelo que ele passou, que estudasse seis anos de medicina e 17 anos de pesquisa, que são 23 anos de estudo, poderia fazer o que eu faço. Se fosse estudioso, tivesse resistência na musculatura glútea [apontando para as nádegas], para ficar sentado lendo três mil livros e ter uma inteligência para interpretar e fazer sentido o que tem no livro, estaria na posição em que estou, sentado aqui discutindo o que estou discutindo.

Jorge Escosteguy: O senhor diria que a humildade é um defeito, dentro dessa visão do pensamento positivo?

Lair Ribeiro: [interrompendo] De jeito nenhum, eu acho...

Jorge Escosteguy: Porque quando a Roseli lhe perguntou sobre..., eu acho que foi o Laszlo, lhe perguntou sobre os Estados Unidos, se o senhor acha que poderia fazer sucesso, o senhor disse: “Não, eu faço sucesso! Eu vou fazer sucesso! Eu vou dar certo! Eu dei certo!”.

Lair Ribeiro:
Isso não tem nada a ver com humildade, isso tem a ver com... Se eu estou mirando em um alvo, se eu estou com a bala no cano do revólver, e se eu já dei cem mil tiros e acertei todos eles, o próximo que eu atirar, se eu acho que vou acertar? Claro que eu acho que vou acertar! Você acha que eu vou pensar que eu vou errar? Primeiro eu tenho que atirar para ver. Então isso aí não tem nada de humildade não, isso chama-se estratégia em ação.

Roseli Tardelli: Doutor Lair, como é que o senhor trabalha...

Jorge Escosteguy: [interrompendo] A humildade nesse caso funciona em que sentido?

Lair Ribeiro: A humildade...

Jorge Escosteguy: [interrompendo] Em algum momento ela é importante? Ela ajuda?

Lair Ribeiro:
A humildade é o seguinte: se eu não conseguir... Eu quero que você entenda o seguinte: se eu não conseguir o sucesso nos Estados Unidos, com esse livro, eu não vou deixar de dormir, eu não vou emagrecer, eu não vou envelhecer por causa disso, e nem vou ficar frustrado, essa que é a diferença. Porque eu coloco o que eu vou fazer como possibilidade e não como expectativa. Quando eu coloco como possibilidade, Jorge, e não acontece, continua sendo uma possibilidade; se coloco como expectativa, e não acontece, eu fico frustrado.

Roseli Tardelli:
Doutor Lair, dentro dessa sua técnica, disso tudo que o senhor está falando para a gente, como que é que o senhor trabalha, e como é que as pessoas devem trabalhar sua impotência em relação, por exemplo, à morte? Em relação, por exemplo, à aids, em relação ao câncer? Em relação à realidade que, muitas vezes, doutor Lair, a gente não consegue transformar. E a impotência?

Lair Ribeiro: A morte, eu acho que é a saída para a vida. Eu acho que morte é transição. Enquanto você entender morte como final de história, você não consegue viver. Você realmente, Roseli, vai viver a sua vida intensamente, no dia em que você aprender a aceitar a morte. Eu acho que a primeira coisa que você tem que aceitar, e isso devia ser explicado no jardim da infância, é aceitar a morte, que é uma transição. Ô que beleza. Já pensou se tivesse que viver para sempre nesta terra? O que está lá de fora, do outro lado, é muito melhor. Eu ensino o seguinte: isso é uma questão de inteligência. Por exemplo, o perdão. Eu mostro no meu curso que o perdão, antes de ser um ato de amor, é um ato de inteligência. Só não perdoa quem é burro. Então o sujeito vai pelo lado do amor. O perdão é um ato de amor? É. Mas antes de ser de amor, é de inteligência, por quê? Só não perdoa quem é burro. Se o sujeito diz assim para mim: “Eu nunca vou perdoar o meu pai pelo que ele me fez”. Eu falo: “onde está o seu pai hoje?” Ele responde: “Ele já morreu”. Espera aí. Ele vai ficar...

Roseli Tardelli:
[interrompendo] Mas e a impotência? Como é que o senhor trabalha a sua impotência? Nós, seres humanos, somos impotentes em relação a algumas situações, como é que faz?

Lair Ribeiro:
Primeiro, você tem que aceitá-las. Você é na vida aquilo que você se recusa a ser. Primeiro, você se aceita do jeito que você é; segundo, você consegue fazer alguma coisa para mudá-las. Se você não conseguir, é porque não é para ser mudado.

Ricardo Melo: Não, mas um canceroso, ele não pode, quer dizer, o senhor não vai dizer que a técnica cura um câncer, por exemplo?

Lair Ribeiro: Claro que cura!

Ricardo Melo: Cura câncer? O senhor cura câncer?

Lair Ribeiro:
Eu não trabalho com câncer. Eu não estou aqui para dizer isso. Mas eu conheço pessoas nos Estados Unidos trabalhando com tecnologias não ortodoxas, não necessariamente só com neurolingüística, uma combinação multifatorial, pessoas que vão com câncer e são curadas. Isso é visto em todo lugar, mais no Brasil do que em qualquer outro lugar.

Ricardo Melo:
Cura aids também?

Lair Ribeiro: Eu só posso dizer para você, Ricardo...

Ricardo Melo: [interrompendo] Tem algum caso relatado, não do senhor, mas da técnica da neurolingüística, cura aids também?

Lair Ribeiro: Eu não sei, não tenho nenhum dado para lhe dar. Eu só posso lhe dar dados que eu conheço. Se você me pergunta na área de câncer, eu conheço gente curada; nos Estados Unidos, colegas meus que trabalham em áreas semelhantes. Eu não me proponho a fazer esse tipo de trabalho. Quanto à aids, eu não posso responder para você, porque eu nunca vi um caso.

Jorge Escosteguy: Um minutinho, desculpe, Ivan. Nós voltamos rapidamente a tratar desse assunto. O Roda Viva faz um rápido intervalo e volta daqui a pouco, entrevistando o médico Lair Ribeiro. Até já.

[intervalo]

Jorge Escosteguy:
Voltamos com o Roda Viva, que hoje está entrevistando o doutor Lair Ribeiro. Lembramos aos telespectadores que, como este programa foi gravado, não há perguntas por telefone. Doutor, o senhor me pareceu, no primeiro bloco – eu não o conheço pessoalmente, não conheço como o senhor dá os seus cursos, enfim –, meio agitado, meio agressivo até, eu diria, não no mal sentido, inclusive, mas...

Lair Ribeiro:
[interrompendo] Sei.

Jorge Escosteguy:
... agressivo, um pouco armado, aparentemente, contra as perguntas. Então, eu perguntaria o seguinte: o senhor tem enfrentado muito preconceito em relação a sua atividade?

Lair Ribeiro: Não tenho enfrentado, não. É claro que ninguém joga pedra em pipa que está no chão. Se a pipa está no alto, a tendência do pessoal é jogar pedra. Eu acho que pelo fato de eu ser médico, pelo fato de eu ser professor universitário nos Estados Unidos, pelo fato de eu ter um currículo, pelo fato de eu ser respeitado na cardiologia, no mundo inteiro; a qualquer lugar do mundo que você for, e falar o nome do Lair Ribeiro, eles sabem quem eu sou.

Ivan Ângelo: O senhor ainda trabalha com cardiologia?

Lair Ribeiro: No campo médico... Eu dou aula na Faculdade de Medicina da Universidade Thomas Jefferson, dou 18 aulas por ano, é a única filiação que eu tenho, e pretendo parar no final de 1994.

Ivan Ângelo: Só aula ou clínica também?

Lair Ribeiro:
Não, não clinico! Tem cinco anos que eu fechei o meu consultório.

Ricardo Melo: Dezoitos aulas por ano é aula de quê, Lair?

Lair Ribeiro:
Eu dou aula de fisiologia cardíaca.

Ricardo Melo: Mas que curso? Dá uma aula por mês, mais ou menos? Um pouco mais?

Lair Ribeiro: Às vezes eu dou cinco aulas em uma semana e passo dois meses sem dar. Eu ensino o estudante de medicina a entender a fisiologia cardíaca, a ler um eletrocardiograma, a analisar prova de esforço. Então, é uma filiação que eu tenho com a Thomas Jefferson; para eu ter o título de professor, eu me comprometi com eles nesse número de aulas. Eu não recebo, é uma coisa que não tem honorário. É muito comum nos Estados Unidos você fazer isso para segurar um título. Na época em que eu resolvi parar, eles me deram essa opção de eu continuar contribuindo, e com isso eu tenho o título.

Ricardo Melo: Em termos de cardiologia, você conseguiu...

Jorge Escosteguy: [interrompendo] Desculpe, só um minutinho. Eu queria voltar ao preconceito que o senhor estava explicando, e não chegamos ao final.

Lair Ribeiro:
Eu acredito, Jorge, que não existe preconceito contra o Lair Ribeiro, não. Eu acredito que tudo o que é novo, todo o paradigma novo, uma vez apresentado, existe a discussão. E eu acho que isso é válido. Isso que nós estamos fazendo aqui é espetacular. Eu acho que todo mundo devia ser cético. Agora o que eu não acho, Jorge, é que ficar só no ceticismo não resolve. “Bom, eu não acredito nisso porque eu sou cético”. Bom, então vai lá checar, porque eu acho que você ficar só no ceticismo, é um ceticismo, não leva a nada. Então você tem que checar. Isso existe. Galileu Galilei quando disse que o centro do sistema solar era o sol e não a terra, eles o colocaram na cadeia.

Jorge Escosteguy: Só está faltando a pergunta que a Roseli lhe fez no primeiro bloco. Jesus Cristo, Buda, agora Galileu Galilei, quer dizer, só tem...

Lair Ribeiro:
Eu tenho que me identificar com quem sabe, você concorda?

Roseli Tardelli: Doutor Lair, parece que você se compara o tempo todo, é isso?

Lair Ribeiro:
Se eu falar em João da Silva, ninguém vai saber quem é; se eu falo em Galileu Galilei, todo mundo sabe quem é.

Ivan Ângelo:
Voltando ao bloco anterior, o senhor falou de um sucesso, que o Laszlo lhe perguntou, mas não falou de um fracasso.

Laszlo Varga: É.

Lair Ribeiro:
Fracasso, meu amigo, eu tenho toda hora. Eu não tenho uma tecnologia que é uma panacéia. Eu não tenho uma tecnologia que vai resolver o problema de todo mundo. Se você pegar dez indivíduos com problema, eu talvez resolva o problema de oito, não vou resolver de dois. Eu tenho um indivíduo que foi para lá com fobia de barata, eu não consegui resolver. Eu tenho os meus fracassos.

Laszlo Varga: O senhor atribui o fracasso ao senhor, ou ao...?

Lair Ribeiro:
A mim, claro que a mim! Imagine, Laszlo, se você vai a um mecânico, leva o seu carro para consertar em uma segunda-feira de manhã. Chega segunda-feira à tarde, você passa lá e diz assim: “E o meu carro”? O mecânico fala assim: “Laszlo, eu não consegui resolver o problema do seu carro, porque o seu carro está resistente ao concerto”. Você vai dizer: “Que mecânico que é esse?”. Já o terapeuta faz o seguinte: “Eu não posso lhe curar porque você está resistente à terapia”. Em outras palavras: “vai para a casa, na hora em que você estiver se sentindo bem, você me liga”. Claro que a culpa é minha!

Clô Guilhermino:
Não foi isso que o senhor afirmou quando...

[sobreposição de vozes]

Lair Ribeiro: Claro que a culpa é minha.

Clô Guilhermino:
... disse que o senhor pode fazer...

Ricardo Melo: Agora, quando eu perguntei para o senhor, o senhor falou...

Jorge Escosteguy: Só um minutinho. Um de cada vez, por favor.

Lair Ribeiro: Um de cada vez.

Clô Guilhermino: Não foi isso que o senhor afirmou, quando disse que, ao conduzir uma técnica, o senhor pode pedir para uma pessoa pensar em uma tela em branco e ela pensar em uma tela negra?

Lair Ribeiro: Claro.

Clô Guilhermino: O senhor não estava se referindo à resistência?

Lair Ribeiro: Claro. Eu, como facilitador, tenho que ter habilidade de fazer a pessoa pensar em branco. Só que em um grupo com 120, como era o Sintonia, doutora Clô, eu não tenho tempo de fazer isso com cada um individualmente. Se eu tivesse consultório, e eu não atendo em consultório, se eu atendesse em consultório, sim, eu faria isso. Mas a minha proposta de trabalho não é trabalhar com o indivíduo, individualmente; se eu estivesse com o indivíduo individualmente, eu quebraria a resistência dele. Em um grupo, eu tenho que mexer com outros casos, eu não posso ficar só dedicado a um.

Clô Guilhermino: É, só me pareceu que foram duas informações contraditórias...

Lair Ribeiro: Parece que sim.

Clô Guilhermino:
... quando o senhor fez a metáfora com relação ao carro...

Lair Ribeiro: Parece, mas não são, você concorda? Você concorda que não são?

Clô Guilhermino:
Parece e são. [risos]

Jorge Escosteguy: [interrompendo] Mas há alguma coisa importante que o senhor tenha tido desejo de realizar... Um fracasso neste sentido, por exemplo: “eu queria ser um grande corretor de móveis, por hipótese, e não consegui”. Quer dizer, o senhor... Alguma coisa que, de repente, o senhor sentiu que queria fazer e não deu certo?

Lair Ribeiro: Até hoje? Está bom.

Jorge Escosteguy: Uma frustração...

Roseli Tardelli:
[falando ao mesmo tempo em que Lair Ribeiro] Sabe por quê, doutor Lair...

Lair Ribeiro: Está bom. Uma frustração que eu tenho...

Roseli Tardelli: [interrompendo] Doutor Lair, é estranho...

Lair Ribeiro: Roseli, espere aí...

Roseli Tardelli:
[interrompendo] Não, é que é estranho...

Lair Ribeiro: Espere aí, eu tenho, eu tenho...

Roseli Tardelli:
[interrompendo] Uma pessoa ter só sucesso.

Lair Ribeiro: Eu não posso responder a duas coisas ao mesmo tempo.

Jorge Escosteguy:
Um minutinho, por favor, Roseli.

Lair Ribeiro: Bom, então me dá licença. [mostra-se impaciente] Uma das frustrações que eu tenho é que eu nunca cheguei à faixa preta em karatê.

Jorge Escosteguy:
Por quê?

Lair Ribeiro: É uma frustração. Talvez pela falta de dedicação, porque requer dedicação. E eu não tinha a dedicação necessária. Se eu tivesse realmente me empenhado e se isso tivesse sido prioridade na minha vida, provavelmente eu teria conseguido, mas é uma frustração que eu tenho.

Roseli Tardelli: Não, não, estou tranqüila porque eu queria que o senhor mostrasse um fracasso seu, porque o senhor é humano, não é?

Lair Ribeiro: Claro que sou humano!

Roseli Tardelli: Como todo mundo.

Lair Ribeiro: Claro que sou!

Roseli Tardelli: Então o senhor também erra, o senhor também...?

Lair Ribeiro: Também erro!

Maurício Stycer:
Um médico homeopata recentemente declarou ter inventado o método da repressão homossexual, capaz de transformar um homossexual em heterossexual, à base da conversa. A reprogramação mental que o senhor propõe também oferece essa possibilidade?

Lair Ribeiro: Eu acredito que não, Maurício. Eu acho que o problema do homossexual – do ponto de vista médico – tem muito a ver com a estrutura cerebral. Se a estrutura já está estruturada, às vezes, até antes de nascer, o problema do homossexual – eu não estou dizendo que todos eles, mas uma grande maioria – ocorre antes do nascimento, porque o indivíduo já nasce com o sexo feminino. Hoje com o positron emission tomography, PET Scan, [modalidade de diagnóstico por imagem que permite avaliar funções importantes do corpo, tais como o fluxo do sangue, o uso do oxigênio, o metabolismo do açúcar etc] está sendo mostrado isso, que o cérebro do homossexual é diferente, e a origem, às vezes, é intra-uterina. Eu acho que se a estrutura já é biologicamente estruturada de uma forma diferente, eu acho muito difícil a lingüística sobrepujar a estrutura. Eu acho difícil, eu não acho impossível.

Ricardo Melo: O senhor acha a homossexualidade um problema?

Lair Ribeiro: Não, eu não acho um problema. Cada um tem o direito de fazer o que quiser, entendeu? Ela não é aceita na nossa sociedade, e você tem que levar em consideração isso. Do mesmo modo que você pode ir lá em uma piscina, tirar sua camisa e mostrar o seu mamilo, que ninguém vai dizer nada, mas se sua mulher for lá, tirar o sutiã e mostrar o mamilo, vai ser um warm up, vai ser uma confusão [tradução para o termo em inglês], é um paradigma. Do mesmo modo existe um paradigma sobre...

Ricardo Melo: [interrompendo] O senhor acha que o homossexual precisa ser "curado", por exemplo?

Lair Ribeiro: Não. Eu acho que não.

Ricardo Melo: Entre aspas.

Lair Ribeiro: Eu acho que primeiro, nem é possível. Na minha possibilidade, no meu modo de trabalhar, eu acho que nem é possível. O que ele tem que fazer é um processo de auto-aceitação, se aceitar como ele é. É a melhor coisa.

Ivan Ângelo: Doutor Lair, no seu curso, tenho aqui alguns depoimentos de pessoas que fizeram, são vendidas fitas, pulseiras de dois pólos, remédios...

Lair Ribeiro: Não, não é verdade.

Ivan Ângelo:
Aneizinhos.

Lair Ribeiro: Não é verdade que é vendido remédio. O que é que você quer perguntar?

Ivan Ângelo:
Eu queria perguntar porque vários depoimentos aqui dizem que sim. E se o senhor acredita que isso realmente, esse tipo de amuleto vai fazer bem para alguém ou traz algum progresso para a humanidade, para a paz da humanidade ou é apenas uma rendazinha a mais?

Lair Ribeiro:
Deve ser a combinação de duas coisas. Primeiro, vamos discutir um por um. Fitas, claro que eu tenho fitas no meu curso, tem pessoas que querem em fita o que eu apresento lá. Segundo, pulseira eletromagnética, está aqui ó [mostrando a que ele usa no braço direito], eu uso a minha, é isso aqui... O eletromagnetismo hoje, na medicina convencional, é usado, inclusive, para tratar câncer, por ressonância eletromagnética, que são os aparelhos mais sofisticados. Você já ouviu falar aí no Albert Einstein na base do magnetismo. Isso é uma pulseira que tem magnetismo.

Ivan Ângelo:
O Silvio Santos também já...

Lair Ribeiro:
É, está bom. Eu admiro o Silvio Santos, muito. Eu acho que se todo o brasileiro fosse igual ao Silvio Santos, o Brasil seria uma beleza, porque todo mundo estaria trabalhando, produzindo e dando de comer para muita gente. Se eu tivesse um modelo brasileiro, se você me perguntasse, eu poderia dizer que o Silvio Santos seria um modelo para mim, porque eu acho que ele produz muito e ajuda muito o Brasil. E quanto à remédio, eu nunca vendi remédio. O que tinha lá, durante um período, e foi um período curto, porque acabou, eu tenho, eu tomo diariamente, aminoácidos. Aminoácido é uma... Você sabe, se você pegar uma proteína, Ivan, e quebrá-la em pedacinhos, ela tem aminoácidos. A tecnologia japonesa permitiu você colocar aminoácido sublingual, ele não vai para o estômago, ele é absorvido direto, ele é usado como neurotransmissor, é igual a um alimento, ele [o cérebro] se alimenta.

Ivan Ângelo: Um condutor de...

Lair Ribeiro:
Hein?

Ivan Ângelo:
É um neurotransmissor.

Lair Ribeiro:
Neurotransmissor.

Ivan Ângelo:
Carrega serotonina etc.

Lair Ribeiro:
Isso.

Ricardo Melo: Você vende também um cone energizante, que eu vi durante o seu curso, que a pessoa põe na cabeça, ou põe aqui no lado, e isso daria bons fluidos...

Lair Ribeiro:
[interrompendo] Não, não tem nada de colocar na cabeça.

Ricardo Melo:
Pelas instruções lá que eu li e com as pessoas que eu falei na banca. Para que é que serve um negócio desses?

Lair Ribeiro:
Existe lá um cone para quem tem interesse. É um sistema que você liga na eletricidade, e puxa energias negativas, no sentido de ionização. Não é negativa no sentido de negativo, positivo, do bem e do mal não. Energias, poluição eletromagnética. Eu, por exemplo, estou aqui bombardeado com poluição eletromagnética neste momento. Você fala ao telefone o dia inteiro, Ricardo, chega de tarde, você está cansado. E você diz: “Pô, tô cansado como? Eu estou aqui o dia inteiro sentado no meu escritório, conversando”. Você está cansado porque o telefone tem uma poluição eletromagnética. Você vai de carona de São Paulo para o Rio, não vai dirigindo não, vai como passageiro, e chega lá cansado. Sabe por que você chega cansado? Porque o motor do carro gera uma poluição eletromagnética, o pneu é de borracha, aquilo entra no seu sistema. Hoje, nos Estados Unidos, o governo está sendo processado por residentes que tenham próximos à sua casa, aqueles grandes transformadores, porque descobriu-se, há estudos médicos mostrando, que as pessoas que moram na área próxima a um transformador daqueles de alta voltagem, têm maior incidência de câncer. Então, nós temos hoje poluição eletromagnética das mais variadas, eu estou sendo poluído eletromagneticamente aqui, com todas essas luzes e essas câmeras. Então, um jeito de amenizar, eu não estou dizendo que é resolver, é amenizar, é trabalhar com estruturas que puxam essa poluição eletromagnética e descarregam na eletricidade. Isso hoje é ciência.

Pepe Escobar:
Se o senhor tivesse três dias de Sintonia para aplicar uma reprogramação do software do seu conterrâneo de Juiz de Fora, atual presidente desta República [Itamar Franco], o que o senhor faria? Que técnicas o senhor aplicaria? O senhor poderia, por exemplo, ensinar esse indivíduo a tomar decisões graves?

[risos]


Lair Ribeiro:
Provavelmente sim.

Jorge Escosteguy:
Ou rápidas?

Pepe Escobar:
Ou rápidas e eficientes?

Lair Ribeiro:
Eu não estou aqui para dar nenhuma opinião sobre o meu conterrâneo, porque eu estou fora do Brasil há 17 anos e não acompanho política mas, pelo que você está perguntando, parece que a sua opinião é de que ele não toma decisões. Se é esse o caso, claro. Uma das tecnologias que nós mostramos é como que o cérebro faz decisão. O indivíduo, às vezes, vai a um restaurante, fica meia hora pelejando com o cardápio, e na hora em que finalmente ele pede, na hora em que o garçom está saindo, ele diz: “Volta aqui, mudei de idéia”. Isso é um processo, é uma programação cerebral.

[sobreposição de vozes]

Lair Ribeiro: Isso pode ser alterado. Então, eu acredito que quando... Mas se você me perguntar sobre o problema de liderança no Brasil...

Pepe Escobar:
Que técnicas o senhor utilizaria para o problema de liderança e de tomar decisões?

Lair Ribeiro: É muito mais grave do que isso. Eu acho que faltam quatro coisas básicas no Brasil. Falta visão, uma sociedade sem visão é uma sociedade em perigo, uma nação sem visão é uma nação em perigo, um indivíduo sem visão e um indivíduo em perigo. Falta noção de realidade. Se você ligar para mim e disser assim: “Doutor Lair, como que eu chego a São Paulo”? Eu pergunto: “Pepe, onde é que você está”? Se você falar: “Não sei”. Eu não posso lhe ajudar. Falta coragem para transformar realidade em visão, e todo o indivíduo que se propõe a mexer na realidade, jogam pedra nele, porque faz parte. O status quo é um negócio de que todo mundo gosta, todo mundo fala em mudança, Pepe, da boca para fora. Na empresa é muito comum isso: “vamos mudar, vamos mudar”. “Está bom, nós vamos acabar com o estacionamento”. “Não, não, no meu estacionamento ninguém mexe”. A mudança é da boca para fora. Dizem que quem quer realmente mudança é um bebê com a fralda molhada; quando a fralda estiver fria, enquanto estiver quentinha, nem o bebê quer. E quarto, você tem que trabalhar eticamente. Eu acho que a maior esperteza do mundo é ser honesto.

Pepe Escobar: Mas como o senhor pode ensinar visão a quem não tem uma visão do mundo? Ou seja, se não tem uma visão do mundo, não pode tomar uma decisão grave.

Lair Ribeiro: Bom, você tem que começar de algum lugar, não tem? Você está me perguntando se o meu curso teria impacto nessas pessoas?

Pepe Escobar:
Exatamente.

Lair Ribeiro: Claro que teria! Porque se nós começarmos a trabalhar com o conceito de paradigma, em mudança de paradigma, o cérebro aprende. Toda a vez que você der para o cérebro duas ou mais opções, ele sempre escolhe a melhor.

Maurício Stycer: A neurolingüística ensina uma pessoa a ser honesta? Se o senhor sentasse, armasse a sua banquinha ali na CPI do orçamento...

Jorge Escosteguy:
[interrompendo] O pessoal da CPI ali, do Orçamento? João Alves... [deputado federal pela Bahia à época da entrevista, ficou conhecido por seu envolvimento com a máfia dos “anões do orçamento”] .

Lair Ribeiro:
Eu tenho a impressão de que não, Maurício. Eu acho que a questão de honestidade vai além da neurolingüística. Eu acho que isso tem a ver com índole, tem a ver com essência, e eu acho, Maurício, que linguagem não chega lá.

Ivan Ângelo: Quer dizer que a corrupção não é uma linguagem?

Lair Ribeiro:
A corrupção vai além da linguagem. Eu gostaria de enfatizar que corrupção não existe só no Brasil, não.

Ivan Ângelo: Claro.

Lair Ribeiro:
Vocês estão vendo aí na Itália, no Japão. E eu gostaria de enfatizar que o Brasil pode ir para frente, com ou sem, ou apesar da corrupção.

Pepe Escobar:
Mas a corrupção segue uma linguagem, existe um conceito por trás do corrupto, é justamente...
[ambos começam a falar ao mesmo tempo]

Lair Ribeiro: Existe, mas eu acho que vai além...

Pepe Escobar:
[Friedrich Wilhelm] Nietzsche [(1844-1900), filósofo alemão cuja obra teve influência sobre diversos pensadores do século XX] falava que nós...

Lair Ribeiro: Essa é a minha opinião.

Pepe Escobar:
... que todos os nossos erros, da razão, são perpetrados pela...

Lair Ribeiro:
Essa é a minha opinião, vai além da linguagem...

Pepe Escobar: ... através da linguagem.

Lair Ribeiro:
Eu acho que a linguagem não vai atingir lá, [a corrupção] vai na essência, na índole da pessoa.

Jorge Escosteguy:
Porque esses [os corruptos], do ponto de vista deles, realmente fazem o que precisa ser feito.

Maurício Stycer:
E o contrário, doutor Lair? O senhor seria capaz de reprogramar uma pessoa para o mal? Uma pessoa que tenha medo de assaltar, por exemplo, procurasse o senhor para perder esse medo.

Ivan Ângelo: Doutor Silvana [personagem vilão das histórias em quadrinhos do Capitão Marvel].

[risos]


Lair Ribeiro: Bom, aí vem a história da ética, não é, Maurício? Provavelmente seria capaz, não faria.

Clô Guilhermino:
Não faria.

Lair Ribeiro:
É uma questão de ética.

Jorge Escosteguy:
Mas funcionaria?

Lair Ribeiro:
Se você me pergunta se é possível, possível é. Do mesmo modo que eu posso tirar uma fobia de você, eu poderia instalar uma.

Ricardo Melo: Instalar uma fobia.

Lair Ribeiro:
Nunca instalei, mas poderia.

Jorge Escosteguy: Aliás, por falar em fobia, o senhor criticou aqui em uma entrevista à revista Playboy, dizendo que usar a psicanálise hoje para curar fobias é uma piada de mau gosto.

Lair Ribeiro:
Eu adoro, Jorge, fazer um programa do jeito que nós estamos fazendo aqui, porque eu posso falar o que é, e não ser interpretado. O telespectador vai exatamente ter o que o Lair Ribeiro está falando. Eu nunca falei isso na minha vida. Se você me perguntar assim: um indivíduo com uma fobia procurando um neurolingüista, procurando um psicanalista, quem é melhor? Claro que é o neurolingüista. Eu não estou dizendo que é a neurolingüística vai resolver o problema de todos os pacientes psiquiátricos. No que diz respeito à fobia, o efeito é maior. Eu acho que a psicanálise e a neurolingüística se complementam. Eu nunca falaria isso.

Ivan Ângelo: O senhor fez psicanálise durante uns cinco anos?

Lair Ribeiro: Fiz. Você está bem atualizado. Fui psicanalisado durante cinco anos.

Jorge Escosteguy:
O que é que o senhor achou?

Ivan Ângelo:
O senhor acha que essa técnica...

Lair Ribeiro:
[respondendo à pergunta de Escosteguy] Achei um processo extremamente lento...

Ivan Ângelo: ... ajudou, ajudou o senhor a fazer...

Lair Ribeiro:
Ajudou.

Ivan Ângelo:
... sucesso?

Lair Ribeiro:
Claro que ajudou! Claro que ajudou!

Ricardo Melo:
Por que é que o senhor fez psicanálise, Lair?

Maurício Stycer:
O senhor tem fobia?

Lair Ribeiro: Porque eu trabalhava como psiquiatra, e no processo de psiquiatria e psicanalítico, o melhor jeito de entender o paciente, é o médico entender primeiro a si mesmo, porque do contrário, o psiquiatra faz uma série de transferências e uma série de misturas dos próprios problemas com os do paciente.

Ricardo Melo: E o ajudou a psicanálise?

Lair Ribeiro: Eu acredito que tenha ajudado sim.

Ricardo Melo:
O que é que melhorou em você, depois que fez a psicanálise?

Lair Ribeiro: É difícil colocar isso em termos. O meu senso – é a única coisa que eu posso lhe responder, Ricardo – é que ajudou. Agora, se você quiser a minha opinião, eu acho que é um processo lento. Para quem não está com pressa, é um processo válido. Eu acho que existem problemas que não serão resolvidos só pela psicanálise. Se você me apresentar um problema existencial profundo, eu provavelmente não vou poder lhe ajudar com a neurolingüística.

Jorge Escosteguy: O senhor diria que o seu sistema substitui a psicanálise? Ou ele é mais eficiente em algumas coisas?

Lair Ribeiro: Eu diria que complementa, e diria que do mesmo modo que a psicanálise é mais competente em uns assuntos, a neurolingüística é em outros.

Jorge Escosteguy:
O seu sistema seria mais eficiente em que tipo de coisa?

Lair Ribeiro:
No aspecto da fobia. Mark Twain [um dos maiores escritores norte-americanos, é autor de As aventuras de Tom Sawyer, clássico romance americano] tem um ditado que diz o seguinte: “se o único instrumento que você tem é o martelo, todo o problema você pensa que é prego”.

Roseli Tardelli: Doutor Lair, uma pessoa como o senhor, uma pessoa que domina a técnica da neurolingüística, não corre o risco de ficar muito prepotente, por conseguir tudo, pelas coisas virem com mais facilidade e tudo mais? Não corre esse risco?

Lair Ribeiro: Deve correr o risco. O que você tem que saber fazer é saber viver as duas partes da vida: a ver a parte da razão e a parte da emoção. Na parte da emoção, como que eu sou com meus filhos, como que eu sou com a minha família, como que eu sou com a minha esposa. Eu acho que isso é importante. É um outro aspecto da coisa. Se eu ficar só na parte da razão, eu acredito que isso ocorra, mas o segredo é conseguir equilibrar o racional com o emocional. Eu não estou dizendo que é fácil, mas que é possível.

Jorge Escosteguy: O senhor não falou da sua vida, aqui, voltando à entrevista da Playboy [volta-se para um texto sobre sua bancada], espero que o senhor tenha dito isso. [risos] Parece que o seu pai não era propriamente um neurolingüista. Segundo a Playboy, o senhor disse: “Se eu tirasse nota abaixo de sete, ele me dava um correiada na bunda”!

Lair Ribeiro: É verdade!

Jorge Escosteguy:
A sua infância foi uma infância muito dura?

Lair Ribeiro: Mas eles não falaram aí também que se eu tirasse a nota dez, eu ganhava dez cruzeiros, na época, que era muito dinheiro. E teve uma época em que ele teve que parar de dar dinheiro, porque começou a ficar muito pesado no orçamento dele. [risos]

Pepe Escobar: Começou a ficar pobre.

Jorge Escosteguy:
... muito dinheiro e a correia estava aposentada.

Lair Ribeiro: Mas é verdade sim, Jorge. Houve um período da minha vida, que eu mexia com briga de galo, eu era muito empolgado com briga de galo, eu tinha uns sete, oito anos de idade, e meu pai estabeleceu uma regra lá em casa – hoje eu agradeço a ele muito – de que toda nota que eu tirasse abaixo de sete, ele me daria uma correiada por cada ponto abaixo de sete. E toda nota que eu tirasse...

Jorge Escosteguy: Se você tirasse nota três, eram quatro correiadas?

Lair Ribeiro:
Isso, exatamente. Mas eu tinha dez ou doze matérias. E para cada dez que eu tirasse, eu ganharia, na época, eu acho que eram dez cruzeiros. E houve um momento em que ele teve que parar com isso, porque eu estava ganhando muito dinheiro.

Laszlo Varga: O senhor agradece ele, por causa disso, dessas chibatadas?

Lair Ribeiro: Claro que agradeço. A longo prazo, isso foi...

Jorge Escosteguy: Mas o senhor acha que esse sistema funciona?

Lair Ribeiro: Funciona. Eu não o recomendo, não fiz isso com meu filho, eu tenho um filho de 24 anos de idade, que está se formando em medicina, nunca teve problema nenhum na escola, é extremamente inteligente. Eu tenho uma filha de vinte, que é empresária, fabrica vinte mil tijolos por dia, em uma cerâmica, dela. Tenho uma filha de 11 anos de idade, que é super inteligente. Não precisei fazer com eles, mas agradeço o meu pai por ter feito, porque na época, provavelmente, ele não tinha opção melhor. Aliás, eu digo para vocês e a todos os telespectadores: o seu pai fez o que ele sabia fazer, nem mais nem menos. Você pode até não ter gostado, mas era a única opção que ele tinha.

Laszlo Varga:
De qualquer forma, então, o senhor não tem nenhuma fobia? O senhor não tem fobia? Garante isso para a gente? Neurose...

Lair Ribeiro: Não, que eu saiba não.

Laszlo Varga:
Neurose?

Ricardo Melo:
Fobia de pobreza, o senhor não tem?

[risos]


Lair Ribeiro: Neurose eu não tenho. Não tenho não, porque pobreza, falta de dinheiro é uma questão temporária; pobreza é um estado de espírito.

Clô Guilhermino:
Na revista Veja, o senhor declarou que está convencido de que existe uma incompatibilidade de neurônios que torna o casamento feliz uma impossibilidade humana. E que pretende escrever um livro a respeito, e afirma que vai demonstrar que os cérebros do homem e da mulher não combinam. Na revista Playboy, o senhor disse que não acredita que problemas sexuais possam ser resolvidos: quem é quente é quente, quem é frio é frio. A minha pergunta é: o mesmo cérebro que o senhor ensina, que nós ensinamos, que pode aprender, e aprender aceleradamente, a criar dinheiro, emagrecimentos, sucesso, não pode criar relacionamentos felizes...

Lair Ribeiro:
Claro que pode!

Clô Guilhermino: ... e relações sexuais prazerosas?

Lair Ribeiro:
Eu estou muito feliz, doutora Clô, por a senhora estar fazendo essa pergunta, porque outra vez não foi assim que eu respondi para o repórter. O que eu disse, e o que eu vou dizer aqui, não é o Lair Ribeiro que inventou, é da medicina: o cérebro masculino é diferente do cérebro feminino. Nós temos que aprender a celebrar as diferenças, mas se a pessoa não entende isso... Eu vou dar um exemplo rápido. O cérebro masculino faz uma coisa só de cada vez; o cérebro feminino é capar de fazer várias coisas [ao mesmo tempo]: é capaz de assistir televisão, terminar o jantar, terminar o relatório de...

Clô Guilhermino: Mas serem diferentes não significa serem incompatíveis.

Lair Ribeiro:
O Clô, querida, se você me fizer uma pergunta...

Jorge Escosteguy:
Mas o homem seria incapaz de assistir televisão e preparar o jantar?

Lair Ribeiro: ... você tem que me deixar responder.

Clô Guilhermino:
Mas eu estou deixando.

Lair Ribeiro:
... porque do contrário, não tem jeito de responder nada, porque todo mundo aqui pergunta e espera a resposta. Se você esperar eu responder, você vai ser satisfeita. Então, se o cérebro feminino faz mais de uma coisa de cada vez, o homem se irrita porque a mulher não se senta para assistir televisão com ele; e ela se irrita porque o telefone está tocando e ele não está atendendo, porque ele está dentro da televisão. O que eu mostrei é o seguinte: os cérebros, biologicamente, são diferentes. Isso não significa que as pessoas não possam viver juntas. Eu estou casado, muito bem casado, adoro, amo a minha mulher, e nós temos um relacionamento muito bonito. Então, claro que eu... porque eu entendi isso. Eu vou escrever um livro mostrando essas diferenças, e baseado nessa diferença, a minha intenção é melhorar o relacionamento das pessoas. Tanto é que nós estamos montando, a partir de janeiro, um curso de casal, onde os casais vão para lá, para resolver se eles querem ficar juntos ou não, e se querem aprimorar o que eles têm de melhor.

Ricardo Melo: Você já casou três vezes. Por que você não programou suas duas primeiras mulheres para elas viverem bem com você?

Lair Ribeiro:
O Roberto Marinho casou três vezes, o Silvio Santos, o Nelson Piquet. Eu não sei por que é que você me faz essa pergunta.

Rui Nogueira:
Eles não são neurolingüistas, o Roberto Marinho, o Silvio Santos.

Lair Ribeiro:
Bom, eu vou te falar. Deu certo todas as três vezes. A primeira vez eu fui casado 11 anos.

Ricardo Melo: Você programou a separação também, antes?

Lair Ribeiro:
Fui casado, muito bem casado. Durante o tempo em que fui casado, vivi que é uma beleza, tive dois filhos maravilhosos. Fui casado a segunda vez por 11 anos, tenho uma filha maravilhosa, funcionou também muito bem. Estou casado de novo e me dando muito bem. Eu acho que os três casamentos foram certos. Eu agora tenho o direito de falar em casamento, porque eu tenho experiência, tenho três [mostra os três dedos da mão esquerda].

[risos]


Roseli Tardelli:
Doutor Lair, muitas pessoas que trabalham com neurolingüística, como o senhor, questionam a seriedade do seu trabalho, a seriedade do que o senhor faz, enfim. Eu queria saber o seguinte: por que é que isso acontece? Existe um preconceito por parte dos seus amigos neurolingüistas ou existe o quê? O trabalho do senhor não é tão sério assim ou o senhor descobriu uma fórmula de ganhar dinheiro?

Lair Ribeiro: Querida, neurolingüista é quem está neste livro, ó [levantando o livro com a mão direita], International Association for Neuro-Linguistic Programming. Se você quer saber se o sujeito é médico, você vai ao Conselho Regional de Medicina, e vê se ele tem o certificado. Quem está neste livro eu respeito. Fez a prova nos Estados Unidos, é neurolingüista. Tem muita gente que se diz neurolingüista e fez cursinho de fim de semana. Não sabe nada, entendeu? Então quando Lair Ribeiro chegou ao Brasil, incomodou esse pessoal. Neurolingüista é quem está no livro: doutor Lair está na pagina 51.

Clô Guilhermino: O senhor sabe que a presidente da Associação Internacional de Neurolingüística acabou de nos remeter uma carta, avisando que ela está deixando o cargo, pela corrupção reinante.

Lair Ribeiro:
Está bom. Mas quem está nesse livro fez a prova. Você quer saber quem é neurolingüista no Brasil, cheque o livro, muito simples.

Jorge Escosteguy:
[interrompendo] O senhor diria que o Roberto Shinyashiki [médico psiquiatra, consultor, palestrante, autor de vários livros, é referência em temas como carreira, felicidade e sucesso], que o criticou, é um neurolingüista? Que diz que o senhor não é.

Lair Ribeiro:
Quem?

Jorge Escosteguy:
Roberto Shinyashiki?

Lair Ribeiro:
Ele nunca foi, nem sabe o que é neurolingüística.

Lair Ribeiro:
Ele nem sabe o que é neurolingüística, mas ele não fala que é [neurolingüista] também não, ele nem fala que é. O comentário que eu escutei dele – eu respeito ele, eu gosto dos livros dele – é da metodologia comparada com a dele, ele não é neurolingüista. Ele nunca foi, nem nunca se declarou. Eu quero deixar isso bem claro no ar. Eu acho que o Shinyashiki faz um trabalho muito bonito, ele não é neurolingüista e ele nunca falou que era.

Roseli Tardelli:
O senhor está dizendo que as pessoas que criticam o senhor não são sérias, e que o senhor é sério?

Lair Ribeiro:
Não, eu não estou falando que as pessoas não são sérias. Eu sei que eu sou sério. O meu trabalho é respeitado no mundo inteiro, Roseli. Eu acabei de voltar da Suíça, eu vou quatro vezes por ano, e dou um curso em [...], para..  tinha representante de trinta países. Eu faço isso no mundo inteiro...

Roseli Tardelli:
Então, o senhor recebe tantas críticas só porque o senhor incomoda, é isso?

Lair Ribeiro:
Eu não sei de que tantas críticas que você está falando, querida. Essas críticas estão chegando a você, não estão chegando a mim. Você me passa elas, porque eu não as estou recebendo.

Ivan Ângelo:
Nessa mesma revista Veja, tem uma referência a um autor americano, que se chama Anthony Robbins.

Lair Ribeiro:
Sim.

Ivan Ângelo:
[Cujo livro se] Chama Poder sem limites, em que um leitor desses dois livros, do seu e do dele, encontrou várias coincidências...

Lair Ribeiro:
Sim.

Ivan Ângelo:
... bastante próximas. E ele fala até em plágio. O que é que o senhor teria a dizer sobre isso?

Lair Ribeiro:
Que beleza [com ironia], eu vou até focalizar a câmera [vira-se de frente para a câmera], que momento fascinante!

Jorge Escosteguy:
O senhor copiou o Anthony Robbins?

Lair Ribeiro: Um momento fascinante. O Anthony Robbins, quando eu comecei a neurolingüística, desculpe a expressão, ele não tinha nem cabelo na região pubiana, ele tinha 12 anos de idade. Segundo, quando eu vou dar uma aula de fisiologia cardíaca, eu falo que o sangue entra no átrio direito, vai para o ventrículo esquerdo, vai para a artéria pulmonar. Se eu falar que não é assim, eu estou mentindo. Quando eu vou dar uma explicação de neurolingüística ou a doutora Clô vai dar, existe uma neurofisiologia dos olhos, eu não posso inventar. O Robbins que tem 29, trinta anos de idade, quando eu comecei a dar aula nos Estados Unidos, ele tinha 12 anos, não tinha nem cabelo na região pubiana.

Maurício Stycer:
Mas ele publicou depois do senhor?

Lair Ribeiro:
Então, não sei como que eu vou me inspirar em Robbins. Claro que se você pegar dois livros de fisiologia cardíaca, os dois falarão sobre ventrículo, e artéria, e válvula. Não tem nada a ver...

Maurício Stycer:
Mas quem publicou primeiro, doutor?

Lair Ribeiro:
Quem falou isso ou é ignorante ou é ingênuo.

Maurício Stycer:
Mas quem publicou primeiro? Qual livro foi publicado primeiro?

Lair Ribeiro:
Qual livro... Não, mas o meu livro não tem ... O livro O sucesso não ocorre por acaso, Maurício, não é de programação neurolingüística, é um livro aberto ao público. O livro do Anthony Robbins é um livro de programação neurolingüística, foi publicado antes do meu, e já é traduzido no Brasil há muito tempo. Seria muita besteira da minha parte, pegar um livro que está no Brasil, traduzido, conhecido, e tirar alguma coisa. Agora, se eu vou falar sobre coração, Maurício, não tem jeito, eu tenho que falar do ventrículo direito, do ventrículo esquerdo, da aorta, não tem jeito de eu não falar, entende? Eu desafio qualquer um a pegar os dois livros, não tem nada a ver uma coisa com a outra. Isso é ignorância ou malícia.

Ivan Ângelo:
As frases que estão aqui não são bem assim...

Lair Ribeiro: Então vamos lá, diga uma delas.

Ivan Ângelo:
... de conhecimento, digamos, técnico, da...

Lair Ribeiro: Fale as frases, fale as frases.

Ivan Ângelo: [lendo] Robbins: “as únicas pessoas sem problemas são aquelas que estão no cemitério”. Lair Ribeiro: “só existe...

Lair Ribeiro: [interrompendo bruscamente] Tá, depois você fala a outra. Agora e daí? Foi Anthony Robbins que inventou isso? Isso é desde a Bíblia. Isso é um conhecimento bíblico. O descanso está no cemitério. Quem é que você vai citar? O Robbins citou, muita gente citou antes dele. Se cada palavra que eu for falar no meu livro, cada idéia que eu for colocar lá, eu tenha que descobrir quem foi o primeiro que falou, que eu lhe garanto que não foi o Robbins, porque eu dava curso nos Estados Unidos, em 1980, falando isso que eu estou falando aí, e o Robbins nem conhecia de neurolingüística ainda, porque ele era muito jovem, tinha 16 anos. E agora pode ser o contrário até, pode ser que ele tenha pego de mim.

Ivan Ângelo:
Outra do Robbins: “as pessoas deprimidas, em geral, andam por aí de olhos baixos”. Lair Ribeiro: “todos sabem que uma pessoa deprimida está sempre olhando para baixo”.

Lair Ribeiro:
Mas isso é neurofisiologia, Ivan. Se eu for descrever, eu tenho que descrever com o olho para baixo, eu não vou agora inventar, dizendo “não, é o contrário, é o olho para cima que é deprimido”. Isso não tem nada a ver com plágio, entende? Isso é ignorância, porque toda a vez que eu for falar sobre neurolingüística e falar sobre os olhos, eu tenho que falar que olhar para baixo é depressão. Eu não posso inventar, eu não posso reinventar a roda, entende?

Maurício Stycer:
Mas o senhor faz tanto o uso de metáforas, quer dizer, poderia usar uma metáfora deferente.

Lair Ribeiro: No livro inteiro, não é, Maurício. Eu tenho que cada vez... E aí um outro sujeito que apareceu no livro de Napoleon Hill, que apareceu no livro de não sei quem, quer dizer, eu tenho que ficar assim: “bom, onde é que está isso aqui”. Quando eu sento... Maurício, sabe como é que eu escrevo um livro? Eu dou uma aula, eles gravam as minhas aulas, as aulas são transcritas, batidas e eu trabalho no transcrito. Então, é assim que eu escrevo um livro.

Jorge Escosteguy:
Como é que o senhor prepara as suas aulas? O senhor estuda? O senhor fica meditando? Como é que é?

Lair Ribeiro: Eu li aproximadamente, até hoje, três mil volumes. Eu tenho leitura dinâmica, eu leio muito rápido. Eu venho fazendo isso, Jorge, há 17 anos. Roma não foi construída em um dia, não.

Jorge Escosteguy: Mas não, eu pergunto sinceramente, não é nenhuma ironia. Eu estou perguntando como é que o senhor faz, objetivamente? Ou seja, o senhor faz apontamentos, sublinha os livros que o senhor lê, passagens que o senhor acha interessantes, e reúne isso em um texto...

Lair Ribeiro: Eu geralmente faço o seguinte, eu vou para...

Jorge Escosteguy:
Qual é o seu método de...

Lair Ribeiro:
Meu método de criação.

Jorge Escosteguy: ... pedagógico, vamos dizer assim?

Lair Ribeiro: Meu método de criação é o seguinte. Eu vou para debaixo de uma cachoeira, em uma fazenda que eu tenho em Minas Gerais, e lá eu bolo um tema, como eu bolei, por exemplo, o tema de casais. Nós vamos dar cursos para casal agora no futuro. Então eu bolei um sistema, pode ser até que exista no mundo, eu bolei, lá debaixo da cachoeira. O indivíduo vai para lá, ele vai passar por um processo de separação. Quem é que fica com o gato, quem é que fica com a máquina de escrever. É um processo de divórcio todinho: quanto de pensão que você vai pagar e tal. Tem uma cerimônia, entre aspas, oficial, quer dizer...

Jorge Escosteguy:
Quer dizer, uma simulação da separação.

Lair Ribeiro: Uma simulação. E depois tem o baile dos solteiros, e depois o indivíduo começa a namorar de novo, e sai de lá, ou casado, ou amigado com a esposa. Então...

Jorge Escosteguy: Com a própria esposa, você quer dizer?

Lair Ribeiro: Com a própria esposa. Então isso é um processo que eu criei. Eu estava... Eu agora coloco isso no lugar. Agora, se isso aconteceu em algum lugar ou outro, eu não sei.

Pepe Escobar: Já. Hollywood funciona assim, por exemplo.

Lair Ribeiro: Como é?

Pepe Escobar: Hollywood funciona assim.

Lair Ribeiro: É. Hollywood funciona assim.

Pepe Escobar: 80% dos casais de Beverly Hills são os mesmos casais que se refazem depois.

Jorge Escosteguy: O que o levou a fazer esse tipo de curso? Qual é o princípio dele?

Lair Ribeiro: Eu comecei a minha carreira médica como psiquiatra, não gostei, passei para a cardiologia. Em 1976 eu fui para os Estados Unidos, para a Universidade de Harvard, fazer um treinamento, já como cardiologista, em cardiologia. Lá eu me deparei com a disciplina de programação neurolingüística, que tinha começado em 1975, em Santa Cruz, na Califórnia. E eu me apaixonei de saída, porque eu fui, durante o curso médico, professor de neuroanatomia e neurofisiologia, para os alunos do primeiro e segundo ano, durante o meu curso médico, em que eu era monitor. Então aí caiu a sopa no mel, porque eu já entendia de neuroanatomia, eu já entendia de neurofisiologia, e veio a parte lingüística, e eu falei: “isso é para mim”.

Jorge Escosteguy: Desculpe, o senhor não entendeu. O que o levou a fazer esse curso de casais?

Lair Ribeiro:
Ah, o que levou a fazer esse curso de casais?

Jorge Escosteguy:
Ou seja, com esse sistema: simular uma separação.

Lair Ribeiro:
Eu acho, Jorge, que o segredo da sociedade ser sadia está na família. Então, quanto mais você conseguir manter a estrutura familiar junta, mesmo que seja separando, mesmo que seja..., mas manter em harmonia, a mãe não ficar culpando o pai perto dos filhos, ou o pai ficar culpando a mãe. Eu acho que isso é fundamental, porque se você não tiver...

Jorge Escosteguy: [interrompendo] E como o senhor acha que funcionaria essa coisa de separar quem fica com a máquina de escrever, com o garfo, CD.

Lair Ribeiro: Não, não. Aquilo ali é um processo. É o seguinte: o sujeito tem uma idéia do que ele espera pela frente, se ele vai se divorciar.

Jorge Escosteguy:
Que dizer, essa simulação é feita objetivamente?

Lair Ribeiro:
Objetivamente.

[sobreposição de vozes]

Jorge Escosteguy: Você vai ficar com quê, o outro vai ficar com não sei o quê, essas coisas?

Lair Ribeiro: É. Ele passa pelo processo para sentir o que é que seria, e vê se realmente ele quer ou não, certo?

Jorge Escosteguy: E o Sintonia, o senhor mencionou duas ou três vezes?

Lair Ribeiro: O Sintonia é um curso.

Jorge Escosteguy:
Qual seria a sua explicação mais detalhada?

Lair Ribeiro: É o nosso carro chefe. Ele tem 39 horas de trabalho, 12 no primeiro dia, 17 no segundo e dez no terceiro. As pessoas vão para um hotel fazenda, se desligam do mundo, ficam lá no primeiro dia, do meio-dia às duas da madrugada; no segundo dia, das 8:59 às três da manhã, e no terceiro dia, das 8:59 às 18 horas. É um trabalho de reestruturação mental com as técnicas das quais eu falei antes: do aprendizado acelerado, do pensamento lateral, da programação neurolingüística, da gestalt e da Three-in-One, que é técnica de terapia corporal dos americanos Gordon Stokes, Daniel Whiteside. O que eu faço realmente é um aumento de inteligência. Você sai de lá usando a sua inteligência de uma forma diferente. Nós não estamos usando nem 5% da nossa capacidade mental. É como se você estivesse dirigindo um carro com o freio de mão puxado. E no Sintonia você desliga esse freio de mão e acelera o processo de pensar.

Jorge Escosteguy: Não é um curso específico sobre nenhum aspecto?

Lair Ribeiro: Não, sobre nenhum aspecto, não tem nenhum dogma, não tem nada. É um trabalho de mentalização, de aumento de inteligência.

Ivan Ângelo: Por que são tão caros, esses cursos?

Lair Ribeiro: Eu não sei o que você chama de caro. Comparado com o quê? Com um Volkswagen ou com um Mercedes?

Ivan Ângelo:
Com cursos.

Lair Ribeiro:
O que é que você chama de caro?

Ivan Ângelo: Por exemplo, por 550...

Jorge Escosteguy: [interrompido] Para começar esclarecendo o preço do curso por pessoa.

Lair Ribeiro: O preço do curso é... O investimento, porque não é preço, é 550 dólares. 

Ivan Ângelo: 550 dólares por pessoa...

Lair Ribeiro:
Por pessoa.

Ivan Ângelo: ... para passar um dia de aula?

Lair Ribeiro: Não, para passar três dias. Inclui estadia, hotel, alimentação, transporte, o material do curso e o curso. Eu acho que é o melhor investimento que alguém pode fazer, em termos de tempo e dinheiro, no mundo. Como eu lhe dei a resposta disso, começo um [curso] amanhã, eu tenho 120 vagas, tenho 130 pessoas inscritas. Eu não sei como é que eu vou fazer com dez.

Ivan Ângelo:
Isso pode ser descontado do Imposto de Renda?

Lair Ribeiro: E tenho quarenta na lista de espera.

Laszlo Varga: O senhor tem aumentado os preços por causa dessa demanda, ou não?

Ivan Ângelo: Não, é dólar.

Lair Ribeiro: É correspondente ao dólar, a pessoa paga em cruzeiro.

Laszlo Varga:
Eu tenho um amigo meu que admira o senhor, mas ele disse que parou de fazer porque estava ficando muito caro.

Lair Ribeiro:
Quem?

Laszlo Varga:
Um amigo meu, eu não queria dar o nome dele.

Lair Ribeiro: Custa 550 dólares há muito tempo.

Jorge Escosteguy: O seu trabalho nesse curso, como é? As pessoas chegam lá, o senhor as reúne o dia inteiro em um lugar, um auditório? Elas ficam ouvindo as suas fitas?

Lair Ribeiro: Existe uma sala em que a pessoa entra, a cada cinqüenta minutos ela tem um intervalo de 15, e nós trabalhamos nos aspectos mais variados. Nós trabalhamos no aspecto da...

Jorge Escosteguy: O senhor só ou um grupo de pessoas?

Lair Ribeiro: Eu tenho uma equipe, mas predominantemente, eu que toco o curso.

Roseli Tardelli: Quantos são, doutor Lair, para a gente saber?

Lair Ribeiro: São 120 pessoas de cada vez.

Jorge Escosteguy:
Não, não, na sua equipe.

Roseli Tardelli: Não, não, quantas pessoas na sua equipe?

Lair Ribeiro: São em torno de seis a sete pessoas, ao todo. Seis a sete pessoas, mas o trabalho é predominantemente feito por mim. As pessoas me assessoram, fazem a parte logística da coisa, mas eu é que estou no palco, dando aula o tempo todo. Nós trabalhamos na teoria do ganha-ganha: para eu ganhar, você não precisa perder, a não ser que você insista, aí o problema é seu. Mostramos que o universo é um lugar potencialmente abundante, feito para todos ganharem. Se você acha que fome no mundo é falta de alimento, você está errado, porque desde 1965, a teoria do Malthus [Teoria Populacional Malthusiana] foi para as cucuias, porque hoje nós produzimos muito mais alimento do que gente para comer. Existe um plus
no mundo, um excesso de 20% de alimento. E nós mostramos que para eu ganhar, você não precisa perder, a não ser que você insista. Nós trabalhamos com a técnica da precessão, que a maioria nunca ouviu falar, que é: [soletrando] p-r-e-c-e-s-s-ã-o, que é quando um corpo em movimento interfere com outro corpo em movimento, em um ângulo de noventa graus. Tudo na sua vida ocorre em um ângulo de noventa.

Jorge Escosteguy:
Desculpe, eu não estou entendendo.

Lair Ribeiro: Eu sei, é difícil de se entender rapidamente assim, por isso que precisa...

Jorge Escosteguy: Eu não fiz o curso ainda... [risos]

Lair Ribeiro: Por isso que precisa ser em três dias.

Jorge Escosteguy: Um dia eu chego lá.

Lair Ribeiro: Você é um convidado nosso. Tudo o que aconteceu na sua vida de importante, aconteceu em um ângulo de noventa. Se você é casado, um dia você não levantou e disse assim: “Hoje eu vou escolher a minha esposa”. Você foi a algum lugar, conheceu alguém e acabou casando. Ou seja, em um ângulo de noventa que ocorre.

Jorge Escosteguy:
Eu nunca disse isso. Eu casei até três vezes, mas nunca acordei e disse isso.

Lair Ribeiro: Pois é, exatamente, você nunca disse. Você foi, conheceu alguém e casou. Se você for observar, Jorge, tudo de importante na sua vida ocorreu em um ângulo de noventa. Você foi fazer uma coisa, uma coisa mais importante aconteceu. Nós chamamos isso – e isso eu tirei da física, eu tirei de Buckminster Fuller – de precessão. Ou seja, você vai fazer uma coisa, e em um ângulo de noventa, uma outra ocorre. Mas para a precessão ocorrer, a condição sine qua non [indispensável] é ação. Se você não tivesse ido naquele dia, naquele lugar, não teria encontrado a pessoa que você encontrou e casado com ela. Então esse é o segundo componente. O terceiro componente...

Jorge Escosteguy: [interrompendo] Em geral isso ocorre de maneira involuntária?

Lair Ribeiro:
Isso.

Jorge Escosteguy: E o senhor trabalha em que sentido?

Lair Ribeiro: Trabalho no sentido de você gerar mais ação, você agir mais. Não adianta você ficar esperando acontecer.

Jorge Escosteguy:
Quer dizer, você não vai, necessariamente, com esse objetivo, mas a ação pode levar a um...

Lair Ribeiro: Isso, exatamente. Nós trabalhamos com a técnica da excelência, que é onde eu harmonizo o seu sistema nervoso, e você... Você sabe, tem momentos que aconteceram com você que foram espetaculares, tudo deu certo. Então, por que é que deu certo? Porque você tinha uma integração entre o seu hemisfério esquerdo e o direito. Se eu pegar essa luminosidade aqui, ela não vai a cem metros de distância; se eu pegar um raio laser, eu jogo a um quilômetro de distância. Por que é que eu jogo? Porque todos os raios estão congruentes. Se você tiver o hemisfério esquerdo puxando para um lado e o hemisfério direito puxando para outro, se tiver conflito, você gasta energia internamente. Então, eu mostro como é que você alinha isso, no sentido do laser. E terceiro, nós trabalhamos...

Jorge Escosteguy: [interrompendo] Como se alinha?

Lair Ribeiro: Tem várias técnicas, uma delas é fazendo malabarismo. Você aprende a fazer malabarismo, porque a técnica de um malabarismo é a técnica mais simples...

Jorge Escosteguy: [interrompendo] Quer dizer, física, objetivamente malabarismo.

Lair Ribeiro: Fisicamente, você aprende a fazer malabarismo. Você diz: “mas o que é que tem malabarismo a ver”? Você só consegue fazer malabarismo, na hora em que você tem integrados o hemisfério esquerdo e o direito.

Jorge Escosteguy: O senhor faz o quê? Põe as pessoas com duas laranjas, por exemplo?

Ivan Ângelo: Três lenços.

Lair Ribeiro: Três lenços, eles trabalham com lenços coloridos. Então não só tem o efeito do malabarismo, como o efeito cromoterápico da cor.

Jorge Escosteguy: Mas como é que é o lenço?

Lair Ribeiro: São lenços de Vicenza [nome de uma pequena cidade ao norte da Itália].

Jorge Escosteguy: Fica jogando os três?

Lair Ribeiro:
Fica jogando os três nos momentos especializados para isso.

Jorge Escosteguy:
Pensei nisso, claro.

Lair Ribeiro:
Nós trabalhamos com técnicas especiais de música, do aprendizado acelerado, e nós trabalhamos com a técnica da sinergia, que também vem do Buckminster Fuller, em que 1+1=4. O todo é maior que a soma das partes. Então, ele diz que quando dois ou mais cérebros se reúnem, com respeito mútuo, cooperação, intuição, comunicação, esse fenômeno sinergético ocorre. Um fenômeno universal. Então, eu mostro como é que você manifesta isso mais na sua vida. Você chega a uma empresa, Jorge, tem um departamento trabalhando para cá, outro trabalhando para lá [apontando com um braço para o lado direito e com o outro para o esquerdo]. O maior problema das empresas não é o mercado lá fora, não é a inflação. O maior problema das empresas é o conflito interno, é a inveja, é a falta do entendimento de que se juntar este com esse [entrelaçando as duas mãos diante de si] pode resolver o problema.

Jorge Escosteguy:
Em geral as empresas procuram o senhor, com que tipo de problema?

Lair Ribeiro: Dos mais variados.

Jorge Escosteguy:
Mais comum...

Lair Ribeiro: Eles querem aumentar a produtividade, querem melhorar a liderança, querem melhorar a comunicação entre os departamentos, querem fazer mais com menos. Então existem problemas os mais variados. Principalmente a tônica em termos de comunicação e liderança.

Pepe Escobar: Doutor Lair, o Japão funciona como uma grande empresa. Então o senhor acha que os cérebros deles estão programados da maneira adequada?

Lair Ribeiro:
Bem melhor do que o nosso. Isso tem muito a ver, Pepe, com a linguagem deles, a escrita japonesa permite isso, tem estudos mostrando. A escrita japonesa permite uma maior integração entre o hemisfério esquerdo e o direito. Por exemplo, a doutora Clô estava perguntando sobre o cérebro masculino e feminino. O cérebro feminino tem mais integração do que o cérebro masculino. Então se você permitir a sociedade, vai acontecer um momento em que as mulheres que vão tomar conta da sociedade, porque o cérebro feminino, é, por natureza, superior ao masculino nesse aspecto. A mulher é mais intuitiva, a mulher é mais criativa.

Pepe Escobar:
[interrompendo] Um instantinho, só um detalhinho, desculpe.

Jorge Escosteguy:
Por que elas não chegaram lá?

Lair Ribeiro: Porque nós não deixamos, ainda.

[risos]

Jorge Escosteguy:
Então somos mais inteligentes.

Pepe Escobar: A Ásia está ultrapassando a Europa...

Lair Ribeiro: Não é só inteligência não, não necessariamente.

Clô Guilhermino:
Haja física.

Pepe Escobar:
A Ásia está ultrapassando a Europa e a América, e o século seguinte vai ser o século do Pacífico, não é?

Lair Ribeiro:
Sim.

Pepe Escobar: Isso está praticamente demonstrado. O senhor acha que isso tem a ver, basicamente, com o comportamento oriental, que é introvertido, e mais harmônico do que o ocidental?

Lair Ribeiro: Não. Eu acho que tem a ver também com fases, tudo no universo tem fases, nasce, cresce...

Pepe Escobar: [interrompendo] Além das fases econômicas.

Lair Ribeiro:
... atinge um pico, deteriora, ou fica pequeno, desintegra. Então os gregos passaram por isso, os romanos passaram por isso. Isso acontece com as civilizações. Por exemplo, a civilização americana, na minha opinião, está em decadência; atingiu um apogeu...

Pepe Escobar: Durou pouco, não é?

Lair Ribeiro: ... e está desintegrando. Então isso faz parte do processo de evolução também.

Roseli Tardelli:
Doutor Lair, obrigada pela parte que me toca, em relação à questão do cérebro da mulher, mas eu queria saber o seguinte...

Jorge Escosteguy: [interrompendo] Mas também dizer que os homens não conseguem ver televisão e cozinhar já é um exagero, não é? [risos] Pelo amor de Deus.

Lair Ribeiro: Ao mesmo tempo.

Jorge Escosteguy: Se o senhor quiser, eu posso lhe convidar para jantar...

Lair Ribeiro:
Ao mesmo tempo.

Jorge Escosteguy: Eu faço o jantar vendo televisão.

Lair Ribeiro: Bom, então você tem um cérebro privilegiado.

[risos]

Roseli Tardelli: Doutor Lair, em termos de realidade, como é que a neurolingüística pode interferir hoje no Brasil, em relação à fome, à má distribuição de renda? Em relação às chacinas? Em relação à corrupção? Quer dizer, como é que a neurolingüística pode fazer deste país, um país próspero como o Japão, por exemplo?

Lair Ribeiro: Ô, Roseli, primeiro não é a neurolingüística. Eu não trabalho só com a neurolingüística. Eu quero que você entenda isso, eu falei isso no começo. Neurolinguística representa 20% do meu trabalho, é um pouquinho da coisa. Como que mudança de paradigma pode melhorar o país? Japão, 1945, Roseli, totalmente destruído, Hiroshima e Nagasaki [cidades japonesas atingidas por uma ataque dos Estados Unidos com bombas nucleares  em agosto de 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, com um grande número de mortos e feridos], Japão hoje. Alemanha, 1945, após a guerra, a Alemanha hoje. É assim, fazendo o seguinte: acreditando na nação, trabalhando unido. Enquanto o brasileiro estiver de braços cruzados, esperando que um super homem presidente, vá aparecer – como nós tivemos a esperança com o [presidente Fernando] Collor [de Mello] – e vá resolver o problema do Brasil, isso não existe. Você, fazendo a sua parte no seu programa, cada um aqui fazendo no seu jornal, na sua revista, fazendo aqui, e eu fazendo a minha, e cada um fazendo a... Nada acontece no seu universo físico sem a sua participação. Eu não tenho uma mensagem para resolver o problema de todo mundo, cada um resolve o seu. Trabalhe, não espere que alguém vá lhe entregar nada, faça a sua parte. Se cada um fizesse a sua, como os japoneses fazem, nós seríamos bem mais prósperos.

Maurício Stycer: E Lair Ribeiro faria menos sucesso talvez.

Lair Ribeiro: Talvez, talvez, Maurício.

Roseli Tardelli: E venderia menos.

Lair Ribeiro: Tudo bem, eu não dependo de livro para viver. Provavelmente venderia menos.

Laszlo Varga: O senhor nunca foi convidado a ir ao Japão, para dar uma...

Lair Ribeiro:
[interrompendo] Já fui convidado duas vezes para ir ao Japão como médico, na época em que eu era diretor médico da Merck Sharp & Dohme [indústria farmacêutica] nos Estados Unidos. Eu fui diretor médico da Merck Sharp & Dohme por três anos e meio.

Laszlo Varga: [interrompendo] Mas como cardiologista?

Lair Ribeiro: Como cardiologista.

Laszlo Varga: Mas no seu atual trabalho, o senhor não foi convidado?

Lair Ribeiro: Não, no atual trabalho meu, ainda não, ainda não!

Laszlo Varga: Você vai chegar lá. [risos]

Lair Ribeiro: É claro que sim!

Jorge Escosteguy: Sem querer [...] ao nosso ajudante de pedreiro do primeiro bloco, eu lhe perguntaria o seguinte: o que deve pensar um leitor que compra o seu livro e encontra essa frase [lendo]: “se a vida lhe deu um limão, experimente fazer uma limonada”.

Lair Ribeiro: Quer dizer o seguinte: que os problemas são os nossos melhores amigos. Se você está onde está hoje, agradeça a um problema que você teve na vida. O Japão está onde ele está hoje, por causa da guerra, da bomba de Hiroshima e Nagasaki. A Alemanha está onde ela está hoje, por causa da Segunda Guerra Mundial. Então todo problema tem uma parte boa da coisa. O modo como o universo nos ensina é através dos problemas. A palavra crise no chinês tem dois significados...

Jorge Escosteguy: Risco e oportunidade.

Lair Ribeiro: Perigo e oportunidade, você é quem escolhe. Então, a crise faz mal? Não, eu acho que faz até bem, porque é baseado nela que você acorda. Eu acho que talvez o Brasil precisasse de uma crise ainda maior, para acordar de vez todo mundo, porque um país onde tudo o que planta cresce, não tem inverno, não tem guerra, e nós ficamos nessa história aí, esperando alguém resolver o seu problema, ninguém vai resolver o seu problema. Você é que vai resolver.

Jorge Escosteguy: Mas onde entra o limão aí?

Lair Ribeiro: Pois é.

Jorge Escosteguy: O limão não é necessariamente um problema, eu posso estar com sede, até querer tomar uma limonada. [risos]

Lair Ribeiro: Bom, está certo, mas no conceito que eu estou colocando aí, é o seguinte: se a vida lhe deu um limão, faça dele uma limonada. Ou seja, se a vida lhe deu um limão, se lhe deu um problema, aproveite a parte positiva desse problema. Você está onde está hoje, Jorge, agradeça a um problema que você teve na vida, e graças ao problema, você superou e o seu cérebro se tornou... Essa é a teoria do Prigogine, aquele que eu citei...

Jorge Escosteguy: [interrompendo] Mas de certa forma...

Lair Ribeiro: ... que ganhou o prêmio Nobel, de sistema aberto e fechado. Ele desenvolveu o conceito de entropia e sintropia. O cérebro humano é sintrópico, o que significa? Quando você o sobrecarrega com um problema, ele cresce. Isso é ser sintrópico.

Jorge Escosteguy: O senhor falou de empresas que o têm chamado para prestar assessoria, e eu gostaria que o senhor falasse um pouco sobre o executivo brasileiro, porque no Brasil durante uns anos, se desenvolveu muito aquela teoria do executivo super homem.

Lair Ribeiro: Sei.

Jorge Escosteguy:
Ou seja, o homem capaz de resolver todos os problemas. Em geral, se criaram nas empresas, sistemas autoritários de dominação e de organização, que estão começando a cair. Ou seja, hoje se fala muito em administração participativa, uma série de coisas. Mas subsiste ainda esse executivo super homem, que de repente acaba tendo um chilique – como se diz – e desaba?

Lair Ribeiro: A mudança no paradigma nesse campo executivo é o seguinte: antes o executivo era um indivíduo que resolvia problema e reagia a situações. Hoje, o verdadeiro executivo é o indivíduo que identifica oportunidades e antecipa o futuro. Se eu caminho, tenho que ver metros na minha frente, se não eu bato. Se eu dirijo, eu tenho que ver quarteirões na minha frente, se não eu bato. Se eu piloto um avião, eu tenho que ver milhas na minha frente se não eu bato. Quanto maior a velocidade que você vive, maior tem que ser sua habilidade de antecipar o futuro. Então, o que está precisando aqui, se você quiser uma receita, é o seguinte: o executivo brasileiro, devido às circunstâncias, é extremamente criativo, se comparado com os executivos que eu treino no exterior. Por outro lado, por causa das circunstâncias, por causa da mudança da regra do jogo com tanta constância, o executivo brasileiro perdeu aquela habilidade de planejar a longo prazo. Então, o que eu digo é o seguinte: você hoje tem que ser um navegador. Quando um sujeito está navegando, ele tem que, ao mesmo tempo, controlar o barco, e nesse momento, tem que ver que não vai bater no rochedo. Você tem que viver o hoje e planejar o amanhã; se você viver só o hoje, não vai chegar a lugar nenhum; se você planejar só amanhã, você não paga o operário no fim do mês. Então é essa dinâmica, essa criatividade, no sentido de viver o hoje e planejar o amanhã, que precisa o executivo brasileiro. Fora isso, é um executivo extremamente criativo, que tem um jogo de cintura invejável, comparado com o executivo lá fora.

Jorge Escosteguy: O senhor diz o que ele precisa, mas hoje ele é como? Hoje, a característica dele?

Lair Ribeiro: A característica dele hoje é um indivíduo extremamente...

Jorge Escosteguy: [interrompendo] O problema maior dele, qual é?

Lair Ribeiro: ... criativo, mas que não está utilizando a habilidade de planejar a longo prazo.

Jorge Escosteguy: E as empresas brasileiras precisariam fazer o que para mudar seu sistema de produção, na sua opinião, e melhorar a sua qualidade, por exemplo, que é uma coisa que se fala muito?

Lair Ribeiro: Você está querendo que eu dê um curso completo aqui, não é?

Jorge Escosteguy: Não, é que o senhor prestou assessoria para empresas...

Lair Ribeiro: É, uma das coisas que se deve fazer é contratar o Lair Ribeiro, só que eu não tenho horário para 1994, mas tudo bem. Nós trabalhamos naquelas quatro premissas: da visão, uma empresa tem que ter visão. A empresa, Jorge...

Jorge Escosteguy: [interrompendo] Desculpe. Antes de o senhor entrar um pouco na receita, eu digo o seguinte: o que o senhor tem visto do empresariado hoje? Qual é o problema principal do empresário brasileiro hoje, quando o senhor vai prestar uma assessoria? O senhor chega lá e encontra que tipo de problema da parte do empresário?

Lair Ribeiro: O maior problema que eu encontro, como eu já falei aqui no programa, é uma falta de sinergia entre os diferentes departamentos. Se você chega a uma empresa que tem vários departamentos, inteligência é vetorial: se você colocar um vetor para um lado e o outro para outro, não dá nada. Então, você encontra nas empresas...  A qualidade de pensamento é boa, mas a aceitação das idéias é ruim. Então, fica um departamento brigando com outro, o marketing... o departamento de mercado brigando com o departamento de produtividade, de produção. Então, o que precisa haver de mais importante é uma integração desses diferentes departamentos, para fazer essa inteligência vetorial ir em um sentido só. E isso depende de respeito mútuo, depende de intuição, depende de habilidade de percepção, depende de comunicação. Então, as técnicas da neurolingüística nesse caso, são muito interessantes, porque ensinam como um executivo pode se comunicar melhor com o outro, haver um melhor entendimento. Eu não preciso gostar de você, nem você gostar de mim, mas nós precisamos nos comunicar, no que diz respeito às nossas transações comerciais para não termos problemas. Não é negócio de gostar um do outro não, é um respeito mútuo. Eu respeito o seu conhecimento, você respeita o meu, e nós vamos fazer brainstorming [em português, “tempestade cerebral”, técnica utilizada em grupos de pessoas, em que cada uma contribui com idéias para resolução de um problema, para criação de um projeto etc], e vamos trabalhar sinergeticamente.

Jorge Escosteguy:
E para esses resultados chegarem ali à base, ao chão de fábrica [parte que concentra os operários que realizam trabalho mecânico], como o senhor falou no começo, que infelizmente, essas pessoas que são a maioria, não têm acesso ao Lair Ribeiro, o que é preciso fazer? O senhor e as empresas?

Lair Ribeiro: Primeiro, tem que se comprometer de cima para baixo. Eu, por exemplo, no meu curso, fiz um trabalho muito grande com a Embraer, o Ozires Silva [militar brasileiro, criou a Embraer em 1969] é quem me contratou. Então a condição sine qua non é a seguinte: que o ex-ministro Ozires Silva, o engenheiro Ozires Silva participasse do trabalho. E ele foi lá e vestiu a camisa; ficou quatro dias no hotel fazenda, trabalhando igual a qualquer outro. Então, o comprometimento tem que vir de cima para baixo, não é só dizer: “Pega esse grupo, treina esse grupo”. “Não, eu não treino. Você vai estar envolvido”?. “Não”!. “Então eu não quero trabalhar com você”. Eu só trabalho com empresas, onde o presidente da empresa, o dono da empresa, entra no jogo. Eu fiz isso com a Perdigão, fiz isso com ao Golden Cross. Tem que ter o presidente, o chefão tem que estar lá, do contrário não adianta nada. Do contrário, é o que nós chamamos em inglês de lip service [expressão para indicar que alguém agiu de maneira hipócrita, ao concordar com algo mesmo sem convicção], é só conversa.

Rui Nogueira: Mas para a Embraer não adiantou muito, que ela está... assim como a Perdigão, ela vive momentos dificílimos. Estava lá o dono da empresa, como você fala...

Lair Ribeiro: [interrompendo] Tem que perguntar ao Ozires Silva, você já entrevistou ele?

Ricardo Melo:
Já o entrevistei.

Lair Ribeiro:
Está bom.

Ricardo Melo:
Entrevistei o Ozires, e a Embraer, é público e notório...

Lair Ribeiro: [interrompendo] E o que ele achou do trabalho do doutor Lair Ribeiro?

Ricardo Melo: Não, eu estou vendo pelos resultados práticos da empresa, Lair, eu não posso ficar perguntando o que ele acha?

Lair Ribeiro: Você lembra da história que eu contei para você, do padre?

Ricardo Melo: Lembro!

Lair Ribeiro: Você quer que eu lembre a sua memória, o padre... E se ele não celebrasse a missa? Eu não sei como é que a Embraer seria.

Roseli Tardelli: [falando ao mesmo tempo em que Lair Ribeiro e Ricardo Melo] Mas, doutor Lair, se o método funciona tanto...


Ricardo Melo: Mas isso não é uma saída muito fácil para você, Lair?

Roseli Tardelli: ... por que é que nessas empresas não está dando resultado?

Lair Ribeiro: Não, mas a pergunta sua é uma pergunta também que não tem jeito de eu responder, você entende? Você pergunta assim: “O seu trabalho tem efeito na empresa”?. Eu falo assim: “vai lá e conversa com Ozires Silva”. Você diz que já foi e que foi ótimo. Você foi lá e conversou com Saul Brandalise.

Ricardo Melo: Mas os resultados da empresa são muito ruins.

Lair Ribeiro: O que mais que eu posso dizer? O que mais que eu posso dizer? Eu não posso dizer mais nada! O que eu posso dizer é o seguinte...

Ricardo Melo: [interrompendo] Mas não o incomoda que os resultados concretos das empresas, em termos de faturamento, em termos de prejuízo...

Lair Ribeiro: [interrompendo] Depende de onde eu pegar a empresa, companheiro.

Ricardo Melo: ... são muito ruins?

Lair Ribeiro: Eu posso pegar uma empresa assim, ó [fazendo um movimento na vertical, de cima para baixo com a mão direita, deixando depois na horizontal], e fazer isso com ela. É fácil pegar uma empresa assim [fazendo um movimento de ascendência com a mão esquerda], não precisa de Lair Ribeiro, não.

Ricardo Melo: Mas a Perdigão parece que estava assim [faz um gesto de descida com a mão esquerda], aí afundou de vez.

Lair Ribeiro: Você não sabe. É só o tempo que vai dizer, você não sabe o que está acontecendo. Reestruturação é reestruturação, você pode dizer isso daqui um ano, agora você não pode dizer nada.

Roseli Tardelli:
E nessa linha, se o trabalho dá tão certo, por que os resultados não comprovam isso na prática, doutor Lair?

Lair Ribeiro:
Roseli, o que é que você chama de resultado, querida? O indivíduo vai, marido e mulher...

Roseli Tardelli: Faturamento, lucro, gerar mais empregos.

Lair Ribeiro: Marido e mulher – deixa eu lhe falar – marido e mulher vão no Sintonia, na segunda-feira eles se divorciam. Aí você vai dizer assim: “Doutor Lair, não deu certo”. Por que você diz que não deu certo? Eles viviam brigando um com o outro por vinte anos, tiveram a coragem de se separar.

Roseli Tardelli:
Não, dentro dos objetivos de uma empresa: faturamento, lucro, geração de empregos, etc, etc.

Lair Ribeiro:
Você tem que perguntar não para o Lair Ribeiro, você tem que perguntar a quem me contratou. Se você for lá e perguntar ao Ozires Silva, ele vai dizer o que ele já falou para muitos repórteres: que foi um espetáculo, que mudou muita coisa na Embraer. Porém o quanto que isso tirou a Embraer do que estava, eu não sei, você tem que perguntar a ele. Se você for perguntar ao Saul Brandalise, ele vai dizer a mesma coisa. Então tem que perguntar a quem fez o curso.

Roseli Tardelli:
Mas não era para estar prosperando?

Lair Ribeiro:
Não adianta você perguntar ao Lair Ribeiro. O que eu faço é o seguinte. Deu resultado? Claro que deu! Eu tenho certeza que deu! Tanto é que eles recomendam o Lair Ribeiro para todas as empresas. O meu calendário de 1994 está todo cheio, eu não tenho vaga mais.

Jorge Escosteguy:
Doutor, como é trabalhar com artistas? Mais uma vez, eu me socorro aqui na entrevista da revista Playboy.

Lair Ribeiro:
É, eu trabalhei muito com artista...

Jorge Escosteguy: O senhor menciona Isadora Ribeiro [atriz e modelo brasileira], dizendo que ela queria ser uma atriz de verdade, mas o senhor fez o que pode...

Lair Ribeiro: [falando ao mesmo tempo em que Escosteguy] Não é verdade também, eu nunca diria...

Jorge Escosteguy: [lendo] “Fiz o que pude, mas milagre não é comigo”. [risos]

Lair Ribeiro:
Eu nunca diria isso da Isadora Ribeiro, nem de ninguém. Eu sou um profissional, estou muito satisfeito de ter a chance de falar isso aqui. O que o repórter me perguntou foi o seguinte: qual foi o resultado para a Isadora Ribeiro? Eu disse o seguinte: quando a Isadora Ribeiro fez o meu curso, ela era modelo, o sonho dela era ser atriz, e hoje ela é, parece que funcionou. Foi isso o que eu falei. Eu nunca falaria isso sobre qualquer profissional.

Ivan Ângelo:
Ela é atriz ou ela apenas trabalha em novela?

Lair Ribeiro:
Bom, isso aí é julgamento seu, não é meu.

Ivan Ângelo: Bom, por exemplo, Fernanda Montenegro...

Lair Ribeiro: Mas isso aí eu deixo para você decidir, não cabe a mim.

Ivan Ângelo: Raul Cortez nunca fez uma...

Lair Ribeiro: Ela tinha vontade de atuar e está atuando. Esse julgamento não é meu, porque eu não tenho habilidade de julgar, e mesmo se eu tivesse, Ivan, eu nunca falaria isso de nenhum profissional.

Ivan Ângelo: Não, claro.

Jorge Escosteguy: O senhor tem sido procurado por artistas como Isadora Ribeiro?

Lair Ribeiro: Quase todos os artistas da Globo já fizeram cursos comigo, e a explicação é muito simples. A falecida Guta [preparadora de atores da Rede Globo]
  trazia o pessoal com ela, ela gostava dos cursos, e trazia. Você está lembrado aí da Eva Wilma [atriz], que fez várias declarações na Veja etc, e muitos outros, eu não estou aqui para citar nome de ninguém. Mas por causa da Guta, mais de cinqüenta ou sessenta artistas da Globo, artistas de um modo geral, fizeram os meus cursos, os quais são muito populares entre os artistas, agradeço à Guta.

Jorge Escosteguy: O senhor diria que eles são mais fáceis de trabalhar nesse sentido?

Lair Ribeiro: Nem mais fácil, nem mais difícil. Eles são mais criativos, eles usam mais o hemisfério direito do que o esquerdo. Enquanto um engenheiro usa muito mais o esquerdo do que o direito, um artista, uma atriz, um ator, usa mais o direito que o esquerdo. E o trabalho justamente é um trabalho de alinhamento, como se fosse alinhar um carro. Então, você vê se tem mais o direito que o esquerdo, você precisa desenvolver mais o outro hemisfério.

Roseli Tardelli: Doutor Lair, quanto tempo o senhor ainda vai durar, hein? Quer dizer, quanto tempo ainda vai durar o seu fenômeno?

[risos]

Lair Ribeiro: Eu pretendo que seja por muitos anos.

Jorge Escosteguy: No sentido figurado, por favor, doutor Lair.

Lair Ribeiro: O Lair Ribeiro não está aqui... Como eu disse, eu não estou aqui correndo corrida de cem metros, eu estou...

Ivan Ângelo: [interrompendo] Se eu fosse o senhor, responderia dois mil anos, pelo menos.

Lair Ribeiro: ...  correndo maratona.

Rui Nogueira: E você pretende deixar seguidores, Lair?

Lair Ribeiro: Não, não é minha campanha por enquanto. O meu trabalho não tem dogma, não tem religião, não tem nada.

Ricardo Melo: Você não tem seguidores? Você não tem discípulos?

Lair Ribeiro:
Por enquanto eu não tenho não, pode ser que no futuro até eu crie alguma coisa nesse sentido, no sentido de criar treinadores.

Ricardo Melo:
Apóstolos.

Lair Ribeiro:
Se alguém disser que aprendeu neurolingüística com o doutor Lair Ribeiro, está mentido. Eu não ensino neurolingüística. Eu uso neurolingüística no meu trabalho.

Jorge Escosteguy:
Doutor Lair, para encerrar o nosso programa de uma forma mais positiva, eu gostaria que o senhor dissesse aos nossos telespectadores que não têm acesso ao Lair Ribeiro, como o senhor falou, não tem acesso ao Mercedes-Benz, no máximo a um fusquinha do presidente Itamar Franco. Um conselho principal que ele daria para que essas pessoas pudessem fazer o que tem que ser feito, como o senhor disse no começo.

Lair Ribeiro:
Você tem que carregar consigo, diariamente, três perguntas. A primeira pergunta é a seguinte: o que eu quero na vida? O que eu quero manifestado no meu universo físico? Não é por dinheiro, não é por nada, é pelo prazer disso acontecer somente. O pintor quando termina ao quadro, ele assina e diz: “isso pertence ao universo, não pertence mais a mim”. Segundo, você tem que saber onde está, com relação aonde quer ir; se você não sabe onde está, qualquer lugar serve. Primeiro, você tem que saber o que é que você quer; segundo, tem que saber onde você está, com relação ao que você quer; e terceira pergunta, como que você chega lá. Então, fazendo essas três perguntas diariamente, o seu cérebro vai saber vir com a resposta, porque na vida é o seguinte: você responde perguntas. A pergunta que eu deixo para você, telespectador, é a seguinte: qual é a pergunta que você está respondendo com o seu viver? Você quer mudar a sua vida, mude a pergunta.

Jorge Escosteguy: Agradecemos, então, a presença esta noite aqui, no Roda Viva, do doutor Lair Ribeiro. Agradecemos também aos companheiros que ajudaram na entrevista e aos telespectadores.

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